O comprometimento da renda das famílias brasileiras continua elevado e acende um alerta sobre o avanço do endividamento no país. Dados da Serasa Experian mostram que os brasileiros têm, em média, 70,5% da renda comprometida com contas, dívidas e despesas recorrentes.
Segundo Gabriel Barros, diretor da SF Barros Contabilidade, o cenário reduz significativamente a capacidade de planejamento financeiro e aumenta a vulnerabilidade das famílias diante de imprevistos.
“A realidade mostra que está cada vez mais difícil fechar o mês com alguma folga financeira. Quando mais de 70% da renda já está comprometida, sobra pouco espaço para decisões dentro do orçamento”, afirma.
Faixas de renda mais baixas sofrem mais
O levantamento aponta que a situação é ainda mais delicada para quem recebe até um salário mínimo. Nesse grupo, o comprometimento da renda chega a 90,1%, deixando cerca de R$ 120 livres por mês após o pagamento das despesas essenciais.
Mesmo entre famílias com renda entre dois e três salários mínimos, a maior parte do orçamento já está direcionada para gastos fixos, reduzindo a flexibilidade financeira.
De acordo com a Serasa Experian, o Brasil soma atualmente 77,8 milhões de pessoas com contas em atraso.
Organização financeira ganha importância
Especialistas avaliam que o cenário exige maior controle financeiro e acompanhamento constante das despesas. O planejamento passou a ser uma necessidade para evitar o agravamento do endividamento.
Segundo Gabriel Barros, mapear despesas fixas, entender as dívidas existentes e reorganizar o orçamento são passos fundamentais para recuperar o equilíbrio financeiro.
“O crédito pode ser um aliado quando utilizado de forma planejada, mas se torna um problema quando passa a complementar a renda de maneira recorrente”, explica.
O especialista destaca ainda que renegociar dívidas e buscar linhas de crédito com condições mais adequadas podem ajudar a reduzir a pressão sobre o orçamento.
Pequenos ajustes ajudam no controle
Mesmo em um cenário apertado, hábitos simples podem contribuir para melhorar gradualmente a saúde financeira das famílias. Registrar gastos, priorizar despesas essenciais e reservar pequenas quantias ao longo do mês ajudam a aumentar o controle sobre o orçamento.
Para especialistas, o desafio não está apenas em acompanhar os números, mas em transformar a análise financeira em ações práticas no dia a dia.






















