O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou um duro recado aos Estados Unidos após a intensificação da presença militar norte-americana no sul do Caribe. Durante cerimônia militar em Caracas, Maduro declarou que “não há como eles entrarem na Venezuela”, classificando o envio de navios de guerra, um submarino nuclear e 4.500 soldados como um cerco hostil que apenas fortalece sua posição política.
A escalada ocorre no contexto das operações antidrogas anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que vêm ampliando o deslocamento de meios navais dos EUA para águas próximas à Venezuela. Autoridades em Washington afirmam que as ações miram o combate a cartéis de drogas transnacionais, mas não há, até o momento, uma ameaça pública de invasão.
No entanto, Maduro afirmou que o movimento constitui uma violação da Carta da ONU e agradeceu ao presidente colombiano Gustavo Petro pelo envio de 25 mil militares à fronteira, em um gesto de cooperação regional para reforçar a segurança.
Em paralelo, o governo dos EUA anunciou a ampliação da recompensa por informações que levem à prisão de Maduro, elevando-a para US$ 50 milhões.
Na ONU, o embaixador venezuelano Samuel Moncada protocolou uma queixa formal contra o aumento da presença militar dos EUA, classificando a operação como uma “manobra de propaganda para justificar uma ação cinética”, termo militar para intervenção armada.
A Venezuela, em resposta, mobilizou navios de guerra, drones e iniciou nova campanha de recrutamento de milicianos para reforçar a defesa costeira.
Declarações
- Nicolás Maduro, presidente da Venezuela:
“Não há como eles entrarem na Venezuela. Hoje somos mais fortes e estamos preparados para defender a paz, a soberania e a integridade territorial do nosso país.” - Samuel Moncada, embaixador da Venezuela na ONU:
“Trata-se de uma gigantesca operação de propaganda para justificar o que especialistas chamam de ação cinética — uma intervenção militar contra um país soberano e independente.” - Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca:
“Muitos países do Caribe e da região aplaudiram as operações antidrogas do governo Trump, reconhecendo o esforço para enfrentar o crime organizado.”
Sobre o contexto
O impasse entre Venezuela e Estados Unidos representa o episódio mais sério de tensão bilateral em anos, com impactos potenciais na estabilidade política regional, no comércio marítimo e no mercado energético global. Especialistas apontam que a crise também desafia a diplomacia multilateral e pode testar a capacidade de mediação da ONU na América Latina.