O governo federal anunciou a liberação de R$ 15 bilhões em crédito para apoiar setores da economia brasileira impactados pela guerra no Oriente Médio e pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A medida faz parte de uma nova etapa do programa Programa Brasil Soberano.
O anúncio foi feito pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, durante coletiva no Palácio do Planalto, destacando que o objetivo é reduzir os impactos sobre empresas exportadoras e setores considerados estratégicos para o país.
O plano será operacionalizado pelo BNDES e amplia ações já iniciadas em 2025, quando o programa foi lançado inicialmente para enfrentar o chamado “tarifaço” norte-americano.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump chegaram a 50% em alguns setores, mas foram posteriormente reduzidas para cerca de 15% após decisão da Suprema Corte do país.
Mesmo com a redução, diversos segmentos brasileiros continuam enfrentando dificuldades para exportar, especialmente para mercados estratégicos como o Golfo Pérsico.
Para atender essas demandas, o governo definiu três grupos prioritários que poderão acessar as novas linhas de crédito.
O primeiro grupo inclui empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores diretamente afetados pelas tarifas dos EUA. Para ter acesso, é necessário que pelo menos 5% do faturamento esteja ligado às exportações no período analisado.
Entre os mais impactados estão os setores de aço, cobre e alumínio, além de segmentos como peças automotivas e móveis, que enfrentam tarifas adicionais elevadas para entrar no mercado norte-americano.
O segundo grupo contempla setores considerados estratégicos para o desenvolvimento do país, especialmente aqueles com déficit na balança comercial.
Nessa categoria estão áreas como indústria farmacêutica, Tecnologia da informação, setor químico, automotivo, têxtil, máquinas, equipamentos eletrônicos, além de segmentos ligados a minerais críticos e borracha.
Já o terceiro grupo envolve empresas exportadoras e fornecedores que atuam com países do Oriente Médio, incluindo mercados como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.
Essas empresas também precisam comprovar participação relevante das exportações no faturamento para terem acesso ao crédito.
As linhas disponibilizadas poderão ser usadas para diferentes finalidades, como capital de giro, produção voltada à exportação, aquisição de máquinas e equipamentos, além de investimentos em inovação e ampliação da capacidade produtiva.
As condições financeiras variam conforme o tipo de operação. Nas contratações diretas com o BNDES, as taxas partem de 0,94% ao mês para investimentos e chegam a 1,28% ao mês para capital de giro.
Já nas operações indiretas, realizadas por meio de bancos parceiros, os juros variam entre 1,06% e 1,41% ao mês.
Os prazos também são considerados atrativos, com carência de até quatro anos para investimentos e período total de pagamento que pode chegar a 20 anos.
A liberação das linhas de crédito só foi possível após aprovação de resolução pelo Conselho Monetário Nacional, que definiu as regras para a concessão dos recursos.
A iniciativa busca preservar a competitividade das empresas brasileiras em um cenário internacional desafiador, marcado por tensões geopolíticas e barreiras comerciais.
Além disso, o plano reforça a estratégia do governo de estimular setores com maior potencial tecnológico e reduzir a dependência de importações em áreas consideradas sensíveis.
Especialistas apontam que o acesso ao crédito pode ajudar empresas a manter operações, investir em inovação e buscar novos mercados, reduzindo os impactos das instabilidades externas.
A expectativa é que a medida contribua para a retomada do crescimento em segmentos industriais e fortaleça a presença do Brasil no comércio internacional.
Com informação Agência Brasil.




















