O Brasil registrou a maior redução no custo de implantação de usinas solares fotovoltaicas entre os principais mercados mundiais na última década, segundo o relatório Renewable Power Generation Costs in 2025, da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA).
De acordo com o estudo, entre 2015 e 2025 o custo total instalado da geração solar fotovoltaica no país caiu 74%, passando de US$ 2.558 por quilowatt (kW) para US$ 672/kW. O desempenho supera o observado em outros grandes mercados, como China (68%), Índia (66%) e Estados Unidos (62%).
Brasil também se destaca no custo de geração
O relatório também posiciona o Brasil entre os países com menor custo nivelado de geração (LCOE) para projetos de geração solar centralizada.
Segundo a IRENA, o custo médio da geração solar em empreendimentos de grande porte no país ficou em aproximadamente US$ 37 por megawatt-hora (MWh), resultado atribuído à elevada incidência de radiação solar, aos avanços tecnológicos, aos ganhos de escala e à maior eficiência na implantação dos projetos.
Infraestrutura é apontada como próximo desafio
Para especialistas do setor, a redução dos custos consolida a competitividade da energia solar, mas evidencia novos desafios para a expansão da matriz elétrica.
Segundo o CEO da Athon Energia, Daniel Maia, o principal obstáculo passa a ser a capacidade da infraestrutura elétrica de acompanhar o crescimento da geração renovável.
“O desafio agora não é mais provar sua competitividade, mas garantir que a infraestrutura elétrica acompanhe essa evolução e permita integrar cada vez mais energia renovável ao sistema”, afirmou.
Armazenamento e redes ganham importância
O executivo destaca que o avanço das fontes renováveis exige investimentos em sistemas de armazenamento por baterias, além da modernização das redes de transmissão e distribuição.
Segundo Maia, essas iniciativas ampliam a flexibilidade operacional do sistema elétrico, reduzem restrições de despacho da energia, aumentam a segurança do abastecimento e melhoram a integração das fontes renováveis.
Ele também observa que geração centralizada e geração distribuída desempenham funções complementares no setor elétrico. Enquanto grandes usinas reduzem custos pela escala de produção, sistemas instalados próximos ao consumidor ajudam a diminuir perdas na transmissão e podem contribuir para maior equilíbrio da rede quando associados ao armazenamento de energia.
Relatório destaca próxima fase da transição energética
A avaliação da Athon Energia está alinhada às conclusões da IRENA.
Segundo o relatório, a próxima etapa da transição energética dependerá não apenas da expansão da geração renovável, mas também da evolução das redes elétricas, da ampliação da capacidade de armazenamento e da digitalização dos sistemas de energia para garantir maior confiabilidade e flexibilidade operacional.
Energia renovável supera fontes fósseis em competitividade
Ainda de acordo com a IRENA, cerca de 91% de toda a nova capacidade de geração renovável instalada no mundo em 2025 apresentou custos inferiores aos das alternativas baseadas em combustíveis fósseis.
O resultado reforça a consolidação das fontes limpas como alternativa economicamente competitiva para a expansão da geração elétrica, ao mesmo tempo em que amplia a necessidade de investimentos em infraestrutura para sustentar o crescimento da participação das energias renováveis nas matrizes energéticas.






















