Antifragilidade e Empreendedorismo - Revista Capital Econômico
Mais do que uma simples leitura: é informação relevante, confiável e que gera conexão!

Antifragilidade e Empreendedorismo

Por Tânia Moura

Recentemente participei de um programa excelente para empreendedores com a Bluefields Aceleradora.

Com uma metodologia super robusta, tive a oportunidade de ouvir tanto os que buscam empreender quanto os que já vivenciaram diferentes fases do empreendedorismo. Muitas histórias com detalhes dos mais inusitados desafios, sofrimentos, desistências, superações, conquistas, vitórias. Nestes tantos depoimentos, me veio à mente o conceito antifrágil.

Você já ouviu falar do termo antifragilidade?

O conceito antifrágil é de autoria de Nassim Taleb, professor líbano-americano da Universidade de Nova York.

Pode-se dizer que sua teoria foi construída também pela sua experiência como um investidor no mercado financeiro – um dos ambientes de negócios mais voláteis e incertos que existem.

Se por um lado a fragilidade pode ser expressa como aquilo que não aprecia a volatilidade, e por consequência não aprecia a aleatoriedade, a incerteza, a desordem, os erros, os agentes estressores….; a antifragilidade seria o oposto.

A antifragilidade aprecia a volatilidade e o tempo.

O frágil deseja a tranquilidade. O antifrágil cresce com a desordem.

A incerteza e o desconhecido são completamente equivalentes em seus efeitos, e os sistemas antifrágeis (até certo ponto) se beneficiam com eles.

Você pode sofrer danos limitados e se mostrar antifrágil diante de pequenos erros e o tempo trará o tipo de erros ou erros reversos que acabarão sendo benéficos.

A fragilidade é perdida com o tempo e a vivência pessoal de um indivíduo constrói a autenticidade e verdade de sua trajetória. Assim emerge a experiência.

E isso é a cara dos empreendedores.

Quantos erros e acertos em contextos tão instáveis!

Muito trabalho: sonhar, idealizar, desenvolver produto, pitch pra família, contratar equipes, pitch de vendas, negociar com fornecedores, gerenciar clientes, pitch pra investidor, alinhar com sócios, pivotar e depois tudo de novo.

Taleb menciona em seu livro que “Em um sistema, os sacrifícios de algumas unidades frágeis, ou pessoas, são, muitas vezes, necessários para o bem-estar de outras unidades ou do todo.

A fragilidade de cada startup é necessária para que a economia seja antifrágil, e isso é o que faz, entre outras coisas, o empreendedorismo funcionar: a fragilidade dos empreendedores individuais e sua taxa elevada de fracasso.

A antifragilidade, então, fica um pouco mais complicada na presença de camadas e hierarquias.
Assim, algumas partes internas de um sistema podem ser forçadas a ser frágeis, a fim de que o sistema se torne antifrágil.” Vale ler o livro todo.

Ele acrescenta que seu sonho é ter um Dia Nacional do Empreendedor com a seguinte mensagem: A maioria de vocês fracassará, será desrespeitada, empobrecerá, mas somos gratos pelos riscos que vocês estão assumindo e os sacrifícios que estão fazendo em prol do crescimento econômico do planeta e forçando os outros a sair da pobreza. Vocês estão na origem de nossa antifragilidade. A nação agradece.

Antifragilidade X Resiliência

Esta nova expressão antifrágil é considerada a mais adequada para representar o momento atual pós pandêmico e desta forma substituir o termo vindo da física tão utilizado até então: resiliência.

A resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos à uma determinada pressão que poderia ser deformadora.

No conceito adotado no ambiente profissional, a pessoa resiliente é aquela que, mesmo após ser muito pressionada, consegue retornar ao seu estado natural. O resiliente resiste aos choques e ao tempo e permanece o mesmo, o antifrágil fica melhor. Não podemos mais voltar a como éramos antes do covid19.

Um mundo em ebulição é o novo normal

Como seguir em um mundo que não compreendemos, com elementos e propriedades invisíveis, onde o aleatório e o complexo são constantes?

O melhor caminho é se colocar em postura de aprendizado, criando um sistema de ajustes – de tentativa e erro – seguindo os atributos da antifragilidade.

E o perfil do empreendedor se encaixa muito bem neste novo contexto – o empreendedorismo é uma atividade ousada e de esperança em um futuro melhor, necessária para o crescimento individual, coletivo e para a sobrevivência da economia.

Que neste mundo frágil, ansioso, não linear e incompreensível, todos possamos desenvolver comportamentos intraempreendedores para aportar coragem, ideias e inovações, com uma postura protagonista dentro da empresa, no negócio e mesmo no ambiente familiar. O presente e o futuro agradecem.

Outros artigos e Tânia Moura que podem te interessar:

A Lei de Gerson foi cancelada. Substituída pela Lei do Covid

Por que o sucesso do Futuro do Trabalho é a Gestão Humanizada 

2020 – o ano que aprendemos mais sobre nós mesmos

Comentários estão fechados.