Os Estados Unidos registraram 531.423 pedidos relacionados à formação de novos negócios em junho de 2026, alta de 1,1% em relação a maio, segundo o U.S. Census Bureau. Para brasileiros interessados em empreender no país, entretanto, iniciar uma empresa do zero não é a única alternativa. A compra de um negócio já em funcionamento pode permitir acesso imediato a clientes, equipe e histórico financeiro, mas exige uma análise cuidadosa sobre dívidas, contratos, dependência do antigo proprietário e capacidade de geração de caixa.
Um exemplo de grande porte foi a aquisição da americana Hillandale Farms pela Global Eggs, controlada pelo empresário brasileiro Ricardo Faria. A operação, concluída em maio de 2025, teve valor de US$ 1,1 bilhão. O negócio ilustra uma decisão que também pode aparecer em investimentos de menor porte: optar pela construção de uma empresa ou adquirir uma operação já estabelecida.
Segundo Franco Scornavacca, empresário e fundador da MD1 Nexus, a principal diferença entre as duas alternativas está na quantidade de informações disponíveis antes do investimento.
“Comprar uma empresa pronta permite olhar para receita, despesas, clientes, contratos e geração de caixa. Isso não elimina o risco, mas oferece elementos concretos para avaliar se o preço e a operação fazem sentido”, afirma.
Começar do zero exige mais tempo para validar o negócio
Abrir uma empresa permite ao empreendedor definir desde o início o modelo de negócio, fornecedores, equipe e estratégia comercial. Por outro lado, a operação precisa conquistar clientes e testar sua capacidade de gerar receita.
A U.S. Small Business Administration (SBA) aponta que a compra de uma empresa em funcionamento pode oferecer uma base de consumidores já estabelecida, despesas operacionais conhecidas e funcionários treinados.
Para Scornavacca, começar do zero tende a ser mais adequado quando o empreendedor pretende desenvolver um modelo próprio e possui recursos e tempo para testar a operação. A aquisição pode ser considerada quando a prioridade é reduzir o período necessário para estruturar o negócio, desde que o histórico financeiro justifique o investimento.
“Não existe uma resposta única. A comparação precisa considerar quanto será necessário investir, quanto tempo o empresário pode esperar até a operação gerar caixa e quais riscos estão embutidos no negócio”, explica.
Faturamento não é suficiente para avaliar uma empresa
Uma empresa com receita elevada não necessariamente representa uma boa oportunidade de aquisição. Margens reduzidas, dívidas, concentração de clientes e dependência do proprietário podem comprometer o desempenho futuro.
A análise deve considerar a origem da receita, margens de lucro, despesas, endividamento e a capacidade de a empresa manter seus resultados após a mudança de controle.
“É preciso analisar de onde vem a receita, quais são as margens, as despesas, as dívidas e quanto o resultado depende de quem está vendendo. Comprar uma empresa não significa comprar automaticamente um bom investimento”, afirma Scornavacca.
A relação do antigo proprietário com clientes e fornecedores também precisa ser considerada. Em negócios menores, contratos e vendas podem depender diretamente de relações pessoais construídas ao longo dos anos. Caso esses vínculos não sejam transferidos para a nova gestão, o desempenho registrado anteriormente pode não se repetir.
Due diligence ajuda a identificar riscos
Antes de concluir uma aquisição, a due diligence permite realizar uma análise financeira, jurídica e operacional da empresa. O objetivo é verificar as informações apresentadas pelo vendedor e identificar possíveis riscos e passivos.
Entre os documentos que podem ser examinados estão demonstrações financeiras, declarações fiscais, fluxo de caixa, contratos, licenças, ativos, estoque, dívidas e obrigações da empresa. A U.S. Small Business Administration recomenda que compradores avaliem, entre outros itens, contratos, demonstrações financeiras, estoque e declarações de impostos.
Outro ponto importante é verificar se a operação consegue funcionar sem a presença do antigo proprietário.
“Uma das perguntas mais importantes é se o negócio continua funcionando quando o antigo dono sai. Uma operação saudável precisa ter processos, clientes e receita capazes de sobreviver à transição”, afirma o especialista.
Brasileiros precisam avaliar questões legais e migratórias
Para investidores brasileiros, a aquisição de uma empresa nos Estados Unidos também envolve aspectos societários, tributários e migratórios. A estrutura da operação deve ser analisada com profissionais habilitados, especialmente quando houver intenção de trabalhar ou permanecer no país.
A compra de uma empresa americana, por si só, não garante direito de residência nem aprovação automática de visto nos Estados Unidos.
A decisão entre abrir ou comprar uma empresa, portanto, depende de fatores como capital disponível, prazo para geração de receita, histórico financeiro, riscos identificados na operação e dependência do antigo proprietário.
Em ambos os modelos, a análise prévia dos custos e das condições do mercado é fundamental para determinar se o investimento apresenta uma relação adequada entre risco e retorno.






















