As importações brasileiras provenientes da China cresceram 27,1% em junho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, alcançando US$ 7,8 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No primeiro semestre, as compras somaram US$ 38,5 bilhões, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025.
A expansão reforça a presença chinesa no mercado brasileiro e amplia o acesso de pequenas e médias empresas a fornecedores e fabricantes do país asiático. Ao mesmo tempo, o movimento aumenta a concorrência entre empresas que passam a importar produtos semelhantes e disputar consumidores com mercadorias muitas vezes idênticas.
Em 2025, aproximadamente um quarto das importações brasileiras teve origem na China, de acordo com levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China. O cenário representa uma mudança para pequenos e médios empresários, que passaram a ter acesso mais amplo a fornecedores internacionais e a oportunidades de importação direta.
Para Bruno Homero, CEO da DNVB Brands e fundador da Missão Importação China, o acesso aos fornecedores chineses, por si só, deixou de representar uma vantagem competitiva. Segundo ele, empresas que compram produtos semelhantes e competem apenas pelo preço podem enfrentar redução das margens e maior dificuldade para fidelizar consumidores.
“O maior erro do empresário brasileiro não foi demorar para chegar à China. Foi achar que chegar já era o suficiente”, afirma.
Concorrência aumenta entre empresas
A maior facilidade para encontrar fabricantes e negociar diretamente com fornecedores pode levar diferentes empresas a trabalhar com produtos semelhantes. Nesse cenário, a competição tende a se concentrar em preço, dificultando a diferenciação e pressionando a rentabilidade dos negócios.
De acordo com Homero, uma estratégia baseada apenas na aquisição de produtos disponíveis nos mesmos catálogos pode reduzir a capacidade das empresas de construir marcas próprias e estabelecer uma relação diferenciada com os consumidores.
“Quando diferentes empresários acessam os mesmos fornecedores e colocam essas mercadorias no mercado sem estratégia de diferenciação, o produto vira commodity. A empresa perde margem, poder de negociação e relevância”, explica.
A alternativa apontada pelo setor é utilizar os fornecedores chineses também para desenvolver produtos adaptados às necessidades do mercado brasileiro. Isso envolve decisões relacionadas a design, embalagem, posicionamento, distribuição e características específicas dos produtos.
China como plataforma de desenvolvimento
O acesso à cadeia industrial chinesa também pode permitir que empresas brasileiras desenvolvam produtos com características próprias, em vez de apenas revender itens encontrados em catálogos de fabricantes.
Um exemplo citado por Homero é o segmento de equipamentos para atividades físicas em casa. A estratégia adotada pela empresa mencionada no material envolveu o desenvolvimento de produtos compactos voltados ao perfil do consumidor brasileiro, além da definição de características de design e apresentação.
Outro caso citado é o de uma empresa que atua no atacado de utilidades domésticas e produtos para animais de estimação. Segundo as informações apresentadas, a companhia estruturou o portfólio de acordo com os canais de venda em que pretendia atuar e posteriormente passou a fornecer produtos para grandes redes varejistas.
Os exemplos indicam uma mudança na forma de utilização dos fornecedores internacionais. Em vez de utilizar a importação exclusivamente como mecanismo de redução de custos, empresas podem buscar desenvolver produtos e marcas direcionados a segmentos específicos do mercado.
Nesse contexto, o aumento das importações chinesas cria oportunidades, mas também eleva o nível de concorrência entre os negócios brasileiros. Para pequenas e médias empresas, a capacidade de diferenciar produtos, construir marcas e compreender o comportamento do consumidor passa a ter peso maior na disputa por mercado.






















