O cenário de juros elevados, volatilidade cambial e expectativa de uma safra recorde tem levado produtores rurais do Centro-Oeste a buscar alternativas para diversificar o patrimônio. Entre as opções avaliadas estão imóveis de padrão elevado em municípios que apresentam crescimento econômico e expansão da atividade agrícola.
A taxa Selic está em 14% ao ano, enquanto o Relatório Focus de 24 de julho projetava dólar a R$ 5,20 e inflação de 5,12% para 2026. Paralelamente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção brasileira de grãos de 360,1 milhões de toneladas na safra 2025/2026, o maior volume da série histórica.
A combinação entre maior geração de receita no campo, custos influenciados pela variação cambial e incertezas econômicas tem levado parte dos produtores a considerar a transformação de recursos obtidos com as safras em ativos de longo prazo.
Primavera do Leste concentra investimentos
Em Primavera do Leste, no sul de Mato Grosso, a relação entre o mercado imobiliário e o agronegócio é especialmente significativa. O município possui forte atividade agrícola e apresenta PIB per capita superior a R$ 100 mil, segundo dados citados pelo setor.
Levantamento realizado por uma empresa do mercado imobiliário local aponta que aproximadamente 80% de sua carteira de clientes possui ligação direta ou indireta com o agronegócio. O dado indica a influência do setor sobre a demanda por imóveis na cidade.
A procura inclui tanto propriedades destinadas à moradia quanto empreendimentos que podem funcionar como instrumentos de diversificação patrimonial, como imóveis comerciais, residenciais de alto padrão e projetos de uso misto.
Para Gisele Barco, executiva do setor imobiliário, a concentração de receitas em determinados períodos do ciclo agrícola faz com que alguns produtores busquem transformar parte da liquidez obtida com a atividade rural em patrimônio de longo prazo.
Segundo ela, fatores como localização, infraestrutura e perspectivas de crescimento da cidade pesam na avaliação de um imóvel como investimento.
Queda dos juros pode mudar cenário
Apesar da atual taxa Selic de 14% ao ano tornar a renda fixa uma alternativa atrativa para investidores, as expectativas de redução dos juros nos próximos anos podem alterar a relação entre os diferentes tipos de investimento.
O Relatório Focus citado pelo setor projetava Selic de 12% para 2027 e de 10,50% para 2028. Uma eventual trajetória de queda dos juros pode reduzir gradualmente a rentabilidade de aplicações financeiras de menor risco e aumentar o interesse por ativos reais, entre eles os imóveis.
No mercado imobiliário, a redução das taxas de juros também pode favorecer o crédito e ampliar a capacidade de compra de consumidores e investidores.
Entretanto, a decisão de investir em imóveis envolve fatores que vão além do cenário de juros, como localização, liquidez, demanda, preço, custos de manutenção e perspectivas de valorização.
Agronegócio influencia mercado regional
O fortalecimento do agronegócio em cidades do Centro-Oeste tem impacto direto sobre diferentes setores da economia, incluindo construção civil, comércio, serviços e mercado imobiliário.
Municípios que concentram produção agrícola e atividades ligadas à cadeia do agronegócio tendem a registrar aumento da demanda por moradia, espaços comerciais e serviços destinados a produtores, trabalhadores e empresas.
Nesse contexto, a aquisição de imóveis pode representar, para alguns produtores, uma estratégia de diversificação dos recursos gerados pela atividade rural. A tendência, porém, depende da evolução dos juros, da produção agrícola, dos preços das commodities e das condições econômicas nos próximos anos.






















