A expectativa de um novo corte na taxa básica de juros (Selic) mantém a atenção de micro e pequenos empresários em todo o país. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encerra nesta quarta-feira (5) sua quinta reunião de 2026, com o mercado financeiro projetando, majoritariamente, uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic de 14,25% para 14% ao ano.
Mesmo com a possível queda, representantes do setor avaliam que o custo do crédito continuará elevado para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e pequenas empresas, que enfrentam maiores dificuldades de acesso a financiamentos com taxas competitivas.
Crédito segue caro para Pequenos negócios
Segundo o Sindicato da Micro e Pequena Indústria (SIMPI/ASSIMPI), a taxa básica influencia diretamente o custo de operações como capital de giro, aquisição de equipamentos e financiamento de investimentos.
Embora empresas de maior porte consigam acessar linhas de crédito com juros mais baixos e melhores condições de negociação, pequenos empreendedores continuam sujeitos a taxas mais elevadas praticadas por bancos e instituições financeiras.
A entidade destaca que, mesmo durante um ciclo de redução da Selic, os spreads bancários nem sempre acompanham a queda da taxa básica, fazendo com que o alívio demore a chegar ao crédito destinado às pequenas empresas.
Mercado espera corte gradual
A expectativa predominante entre analistas é de um corte de 0,25 ponto percentual, mantendo o ritmo gradual de redução iniciado nas reuniões de março, abril e junho deste ano.
Ainda assim, parte do mercado não descarta a possibilidade de manutenção da Selic em 14,25%, diante de riscos relacionados à inflação e às incertezas do cenário internacional.
Um corte mais intenso é considerado menos provável neste momento, já que poderia aumentar pressões sobre o câmbio e os preços de produtos importados caso não fosse acompanhado por um cenário de inflação controlada.
Entidade pede medidas além da redução dos juros
Para o presidente do SIMPI/ASSIMPI, Joseph Couri, a diminuição gradual da Selic representa um sinal positivo, mas não resolve, por si só, os desafios enfrentados pelos pequenos empresários.
Segundo ele, a diferença entre a taxa básica definida pelo Banco Central e os juros efetivamente cobrados pelas instituições financeiras continua elevada, dificultando o acesso ao crédito produtivo.
A entidade defende que, além da continuidade do ciclo de redução da Selic, sejam adotadas medidas que ampliem a oferta de crédito para micro e pequenas empresas, incluindo maior repasse da queda dos juros pelos bancos, programas específicos de financiamento, desoneração e simplificação tributária.
Importância das micro e pequenas empresas
O SIMPI/ASSIMPI ressalta que micro e pequenas empresas são responsáveis por grande parte dos empregos formais gerados no Brasil e considera que a redução do custo do crédito pode contribuir para investimentos, expansão dos negócios e geração de novas vagas.
A decisão do Copom sobre a taxa Selic será divulgada após o fechamento dos mercados nesta quarta-feira.






















