Uma pesquisa internacional realizada com mais de 6 mil profissionais de 11 países revela que um em cada dez trabalhadores já não possui as competências tecnológicas exigidas para desempenhar sua função. O levantamento também aponta que 23% dos cargos podem enfrentar obsolescência de competências nos próximos três anos, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial (IA), da automação e das mudanças na organização do trabalho.
Os dados fazem parte do Barômetro Internacional Cegos 2026, elaborado pelo Grupo Cegos e conduzido no Brasil pela Crescimentum. O estudo ouviu 5.524 colaboradores e 498 líderes de recursos humanos (RH) e treinamento entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo a pesquisa, 68% das lideranças de RH apontam a inteligência artificial e a automação como os fatores que mais impactarão as competências profissionais nos próximos dois anos. Em seguida aparecem a evolução dos sistemas de informação e a cibersegurança (41%), além das novas formas de organização do trabalho (33%).
Entre os colaboradores, 31% afirmam temer que seus empregos desapareçam, enquanto 74% acreditam que a natureza de suas atividades será modificada nos próximos anos.
Empresas priorizam requalificação
Diante das transformações, as empresas têm concentrado esforços na qualificação de seus profissionais. O levantamento mostra que 65% das áreas de RH priorizam a requalificação de talentos internos, enquanto 57% incentivam a mobilidade para novas funções dentro das organizações.
Apesar disso, permanece uma diferença entre a percepção das empresas e a experiência dos trabalhadores. Enquanto 77% dos líderes de RH consideram que suas organizações respondem rapidamente às necessidades de treinamento, 41% dos colaboradores afirmam que a capacitação chega tarde, muitas vezes semanas ou meses após a demanda surgir.
Brasil apresenta confiança, mas enfrenta desafios
No recorte brasileiro, os profissionais demonstram elevado grau de confiança na própria capacidade de adaptação. Eles atribuíram nota média de 7,9 para sua preparação para o mercado de trabalho em 2035.
Além disso:
- 91% afirmam compreender como sua função deve evoluir;
- 96% dizem conhecer as competências que possuem;
- 93% afirmam saber quais oportunidades de aprendizagem estão disponíveis.
Mesmo assim, 16% dos brasileiros acreditam que suas competências já estão obsoletas, enquanto outros 13% consideram que isso deve acontecer em breve.
Outro dado destacado pelo estudo mostra que 44% dos profissionais brasileiros se consideram os principais responsáveis pelo próprio desenvolvimento profissional, o maior percentual entre os países pesquisados.
IA avança, mas treinamento ainda é limitado
A pesquisa também mostra que o uso da inteligência artificial cresce rapidamente no ambiente corporativo.
Globalmente:
- 79% utilizam IA generativa para fins pessoais;
- 64% já usam essas ferramentas no trabalho.
Entretanto, apenas 28% das empresas estabeleceram diretrizes formais para o uso da Tecnologia e somente 32% ofereceram treinamentos específicos aos colaboradores.
No Brasil, 76% dos profissionais de RH já utilizam ou planejam utilizar IA generativa em treinamentos, enquanto 61% dos trabalhadores recorrem à tecnologia para apoiar a aprendizagem.
Além disso, 63% das organizações já utilizam ou estão implementando IA generativa em programas de capacitação, e 57% adotam sistemas de personalização das trilhas de aprendizagem com apoio da tecnologia.
Competências humanas ganham importância
Embora a inteligência artificial esteja transformando o mercado de trabalho, o estudo indica que as competências humanas continuarão sendo essenciais.
Os profissionais brasileiros apontaram como habilidades mais relevantes para os próximos anos:
- criatividade e inovação (33%);
- agilidade e capacidade de adaptação (32%);
- inteligência emocional (32%);
- aprender continuamente (30%).
Segundo o levantamento, o principal desafio das empresas será reduzir o intervalo entre as mudanças nas necessidades do negócio e a capacitação efetiva das equipes, tornando o aprendizado mais contínuo, prático e alinhado às transformações do mercado.






















