As empresas familiares respondem por cerca de 90% dos negócios brasileiros e por mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Apesar da relevância econômica, poucas conseguem atravessar gerações: aproximadamente 30% chegam à segunda geração e apenas 2% permanecem sob controle familiar na terceira.
Os dados, citados em artigo de Pedro Fenati Bicalho, sócio da FC Partners e líder do FCEO, reforçam que a sucessão empresarial continua sendo um dos maiores desafios para a longevidade das organizações.
Segundo o autor, mais da metade das empresas familiares não possui um plano estruturado de sucessão, enquanto cerca de 70% enfrentam conflitos internos durante o processo de transição da liderança.
Planejamento reduz riscos
No artigo, Pedro Fenati Bicalho afirma que a sucessão não deve ser tratada apenas quando a mudança de comando se torna inevitável. Para ele, o planejamento antecipado aumenta as chances de continuidade do negócio e reduz os riscos de conflitos entre familiares e gestores.
O especialista ressalta que o processo envolve não apenas aspectos administrativos e jurídicos, mas também relações familiares, exigindo preparo e diálogo entre os envolvidos.
Sucessão vai além da família
O artigo destaca que a sucessão empresarial não precisa, necessariamente, ocorrer entre pais, filhos e netos.
Segundo o autor, em alguns casos, a continuidade da empresa pode ser garantida pela contratação de executivos profissionais ou até mesmo pela venda do negócio para novos controladores, quando essa alternativa se mostra mais adequada aos objetivos da família empresária.
Experiência fora da empresa pode preparar herdeiros
Outro ponto abordado é a importância de os sucessores adquirirem experiência profissional fora da empresa familiar antes de assumir cargos de liderança.
De acordo com Pedro Fenati Bicalho, trabalhar em outras organizações permite que os herdeiros desenvolvam competências, enfrentem desafios próprios do mercado e construam uma visão mais ampla sobre gestão.
O autor ressalta, entretanto, que não existe uma fórmula única para o sucesso do processo sucessório, já que cada empresa possui características próprias.
Papel do fundador também deve ser planejado
O artigo também defende que o planejamento sucessório inclua a definição do papel do fundador após a transição.
Entre as possibilidades estão atuar como conselheiro, mentor ou optar pela aposentadoria, sempre considerando as necessidades da empresa e da família.
Segundo o especialista, trocar experiências com outros empresários que já passaram por processos semelhantes pode contribuir para decisões mais seguras e bem estruturadas.
Para Pedro Fenati Bicalho, a sucessão empresarial deve ser encarada como uma etapa natural da evolução dos negócios e não como o encerramento da trajetória da empresa, mas como a preparação para um novo ciclo de crescimento e continuidade.






















