Quatro escolas brasileiras estão entre as 50 melhores instituições de ensino do mundo e disputam o World’s Best School Prizes 2026, considerado um dos principais reconhecimentos internacionais da educação. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25), colocando escolas do Rio de Janeiro, Amazonas, Mato Grosso e Pará entre as dez finalistas de suas respectivas categorias.
As instituições selecionadas são a Escola Municipal GET IV Centenário, no Rio de Janeiro; a Escola Baniwa Kalipana, em São Gabriel da Cachoeira (AM); o Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf, em Cuiabá (MT); e o Centro Educacional Primeiro Mundo, em Canaã dos Carajás (PA).
A premiação contempla cinco categorias: Inovação, Ação Ambiental, Colaboração Comunitária, Superação de Adversidades e Apoio a Vidas Saudáveis.
Escola da Maré transforma acolhimento em ferramenta de aprendizagem
A Escola Municipal GET IV Centenário, localizada no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, é finalista na categoria Superação de Adversidades.
A diretora Alessandra Aguiar comemorou o reconhecimento internacional, destacando o trabalho desenvolvido em uma região marcada por frequentes episódios de violência.
Após operações policiais na comunidade, a escola criou o projeto Café com Música e Prosa, voltado ao acolhimento socioemocional dos estudantes. A iniciativa evoluiu para o programa Fábrica de Sonhos, que reserva diariamente os primeiros 20 minutos de aula para que os alunos compartilhem sentimentos, experiências e expectativas.
Segundo a direção, a estratégia contribuiu para zerar a evasão escolar e elevar para 97% o índice de alfabetização na idade adequada. A metodologia também envolve as famílias no planejamento pedagógico e será expandida para outras 350 escolas da rede municipal do Rio de Janeiro.
Escola indígena alia saberes tradicionais e currículo nacional
No Amazonas, a Escola Baniwa Kalipana disputa a categoria Ação Ambiental.
Localizada na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, a instituição desenvolve um modelo de ensino baseado nos conhecimentos ancestrais dos povos Baniwa e Koripako.
As aulas são ministradas por professores indígenas e utilizam também a língua tradicional da comunidade. O currículo integra o sistema agrícola Káali — patrimônio cultural da região — com disciplinas como matemática, português e história.
A proposta busca fortalecer a permanência dos jovens em seus territórios, preservar conhecimentos tradicionais e valorizar práticas sustentáveis de manejo ambiental.
Educação infantil aposta em inovação e inclusão
O Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf, de Cuiabá, é finalista na categoria Inovação.
A escola desenvolveu a metodologia Criancice, que substitui salas de aula convencionais por ambientes temáticos voltados para ciência, arte, literatura, Tecnologia, movimento e cultura.
A proposta incentiva a aprendizagem por meio da experimentação, da investigação e das brincadeiras, além de promover uma educação antirracista desde a primeira infância, valorizando as culturas afro-brasileira e indígena.
Escola do Pará amplia oportunidades na Amazônia
O Centro Educacional Primeiro Mundo, em Canaã dos Carajás, também concorre na categoria Superação de Adversidades.
A instituição atende cerca de 4 mil estudantes, incluindo indígenas da etnia Kayapó, alunos com deficiência e estudantes neurodivergentes.
Nos últimos três anos, seus alunos conquistaram mais de mil medalhas em olimpíadas acadêmicas nacionais e internacionais, resultado de um programa voltado à excelência acadêmica e à inclusão.
Votação popular segue aberta
Após o anúncio dos finalistas, foi aberta a votação popular pela internet, que permanecerá disponível até 29 de outubro.
Os vencedores serão anunciados em novembro e passarão a integrar uma rede internacional de escolas voltada ao intercâmbio de experiências pedagógicas e boas práticas educacionais.
As escolas vencedoras e finalistas também participarão do World Schools Summit, que será realizado em Londres, nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027, reunindo educadores, especialistas e formuladores de políticas públicas de diversos países.
Segundo o fundador e CEO da T4 Education, Vikas Pota, as escolas selecionadas demonstram que uma educação de excelência pode ser alcançada em diferentes contextos sociais e culturais.
Com informação Agência Brasil.






















