A quantidade de riqueza não tributada mantida no exterior pelo 0,1% mais rico da população mundial já supera toda a riqueza da metade mais pobre da humanidade, que reúne cerca de 4,1 bilhões de pessoas. A conclusão é de um levantamento da Oxfam, divulgado no contexto dos dez anos do escândalo conhecido como Panama Papers.
Na época, a investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos revelou como empresas offshore eram utilizadas para ocultar patrimônio e dificultar a identificação de seus verdadeiros proprietários. O trabalho analisou milhões de documentos vazados com a colaboração de mais de 370 jornalistas de 76 países.
Segundo o novo relatório, cerca de US$ 3,55 trilhões em riqueza não tributada estavam escondidos em paraísos fiscais e contas não declaradas em 2024. O valor supera o Produto Interno Bruto de países como a França e é mais que o dobro da soma das economias dos 44 países menos desenvolvidos do mundo.
Concentração extrema de riqueza
Do total estimado, aproximadamente 80% pertencem ao 0,1% mais rico, o equivalente a cerca de US$ 2,84 trilhões. Mesmo uma década após o escândalo, os super-ricos continuam utilizando estruturas offshore para reduzir a carga tributária e ocultar ativos.
Para especialistas da Oxfam, o cenário evidencia um sistema global que favorece a concentração de renda e dificulta a arrecadação de impostos por parte dos governos.
Impactos sociais e desigualdade
A organização alerta que a prática tem consequências diretas sobre serviços públicos e a desigualdade social. Recursos que poderiam ser destinados a áreas como saúde e educação deixam de ser arrecadados, ampliando a pressão sobre a população em geral.
Além disso, a riqueza offshore não tributada ainda representa cerca de 3,2% do Produto Interno Bruto global, indicando que, apesar de avanços, o problema persiste em escala significativa.
Desigualdade entre países
O relatório também destaca que os avanços no combate à evasão fiscal são desiguais. Muitos países do chamado Sul Global ainda estão fora de mecanismos internacionais de troca automática de informações financeiras, o que limita a capacidade de fiscalização.
Diante desse cenário, a Oxfam defende uma ação coordenada entre países para ampliar a tributação de grandes fortunas e restringir o uso de paraísos fiscais.
Para a organização, enfrentar a evasão fiscal é essencial para reduzir desigualdades e garantir maior justiça tributária em escala global.
Com informação Agência Brasil.






















