O debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil ganhou novos contornos com a defesa de uma abordagem cautelosa por parte de especialistas e parlamentares. Durante o evento “CNN Talks: O futuro da jornada de trabalho”, realizado em São Paulo, o deputado federal Paulo Azi destacou a necessidade de equilíbrio na análise da proposta para evitar impactos negativos na economia.
Relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o parlamentar afirmou que o principal desafio é garantir ganhos reais aos trabalhadores sem gerar instabilidade econômica. Segundo ele, o debate precisa ser conduzido com responsabilidade, especialmente em um contexto político sensível.
Para isso, Azi apresentou três pilares que devem nortear seu relatório. O primeiro é o fortalecimento dos sindicatos, com incentivo a acordos coletivos entre empresas e trabalhadores. O segundo é a criação de um período de transição, evitando mudanças abruptas que possam afetar o funcionamento das empresas. Por fim, o terceiro ponto envolve uma análise aprofundada dos impactos da medida sobre emprego, custos operacionais e inflação.
O economista Sergio Firpo, professor do Insper, reforçou a necessidade de prudência. Segundo ele, a alteração na jornada pode aumentar a rotatividade no mercado de trabalho e ampliar a informalidade, que já alcançou 38,1% no fim de 2025.
Firpo alertou que trabalhadores que recebem acima do salário mínimo podem ser substituídos por mão de obra mais barata, enquanto aqueles que ganham o piso correm o risco de migrar para a informalidade. Além disso, destacou que a redução da jornada não garante, necessariamente, aumento de produtividade para as empresas.
O debate também reuniu representantes do setor produtivo, como Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e lideranças de segmentos como construção civil e shopping centers, que discutiram os impactos da proposta nos custos e na competitividade das empresas.
A avaliação geral entre os participantes é que, caso a proposta avance, será necessário estabelecer contrapartidas ao setor produtivo, como incentivos fiscais ou desoneração da folha de pagamento, para mitigar os efeitos econômicos.
O tema segue em discussão no Congresso e deve ganhar relevância nos próximos meses, diante de seu potencial de impacto direto sobre trabalhadores, empresas e o desempenho da economia brasileira.






















