Perspectivas políticas para 2022: o que está em jogo no ano eleitoral - Revista Capital Econômico
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Perspectivas políticas para 2022: o que está em jogo no ano eleitoral

Especialistas da Fundação da Liberdade Econômica se reúnem para fazer um balanço dos desafios a serem superados pelos principais candidatos à presidência

Aconteceu nesta quinta-feira, 20, na Fundação da Liberdade Econômica, o Webnar: perspectivas políticas para 2022.

Sendo coordenado pelo presidente da instituição, Márcio Coimbra, o evento foi transmitido pelo YouTube e contou com a participação de especialistas que realizaram um debate para este ano eleitoral.

Abrindo as falas, Coimbra questionou aos presentes sobre as perspectivas para as disputas deste ano. “O cenário atual está muito polarizado e ao que tudo indica não há sinais de que isso irá mudar. Principalmente quando iniciar o período de campanhas. Ademais, as opções de terceira via ainda não estão convencendo o eleitor”, disse.

O tema foi desenvolvido pelo cientista político Ismael Almeida. Diante das tradicionais opções entre direita e esquerda, há outros nomes que estão se apresentando como terceira via.

Ele comentou que ainda falta muito para que as alternativas conquistem o coração dos brasileiros. De acordo com ele, os nomes esperados ainda não possuem uma identidade própria, sendo relacionados a governos anteriores e não transmitindo a imagem de renovação política.

“É um quadro muito incerto, mas a terceira via ainda me parece ser um caminho tortuoso”, disse. “A população não consegue identificar no momento se esses candidatos se tratam de uma renovação política”.

Dentre as temáticas abordadas, Coimbra citou as expectativas para os resultados. Há dúvidas sobre quando o desfecho pode ser alcançado, no primeiro ou no segundo turno. O que foi exposto por Alexandre Bandeira, diretor do Distrito Federal da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP).

“O que vemos, por enquanto, é uma disputa acirrada entre o PT, com Lula como possível candidato, e o presidente Bolsonaro”, explicou Bandeira. “Não há muita clareza sobre isso. Tudo vai depender de quem for apresentado como opção. Há ainda muita água para rolar, mas o esperado é que este cenário de polarização tende a continuar”, afirmou.

Para este ano, com um tempo menor de campanha, quem iniciar sua divulgação primeiro vai sair na frente. As expectativas são muitas, mas, historicamente, quem já está no cargo tem vantagem no pleito. Foi o que aconteceu com os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula.

A disputa política tem se tornado cada vez mais acelerada. Como demonstra Paulo Kramer, mestre e doutor em Ciência Política, assim que uma eleição termina, a campanha para o próximo mandato já é iniciada.

“A pauta da eleição presidencial está sendo consumida pela maioria da população antes do que estávamos acostumados a ver”, explicou. Esta situação favorece que nomes já conhecidos saiam na frente. “A gente vai votar olhando para o retrovisor ou com o olhar visando o futuro? Eu não consigo ver grandes chances dessa polarização ser rompida”, disse.

Economia

Citando o alto desemprego, a inflação desenfreada e o aumento do peso dos combustíveis, Coimbra colocou em pauta a maneira como a economia brasileira será relacionada ao pleito político deste ano. Ele abriu a fala para o Ph.D. em Relações Internacionais, Ricardo Caldas.

“Atualmente, o eleitor busca um candidato que seja honesto e que traga de volta o desenvolvimento econômico”, expôs ele. “O mais provável é que o brasileiro vote com o bolso. O que é novidade. As pessoas buscam quem vai trazer mais empregos e venha a gerar renda”.

A economia tende a ser um fator preferencial na campanha deste ano. A atual situação do país, leva a crer que o candidato eleito já entraria extremamente desgastado.

No entanto, os indicadores econômicos mais complexos não são o primeiro pensamento do brasileiro na hora de votar. “A população não entende isso, mas compreende a chamada inflação de geladeira. A percepção sobre o peso dos alimentos e geração de empregos é o principal fator na tomada de decisão”, explicou Bandeira.

Valores

O presidente Jair Bolsonaro tem como ponto forte a pauta de valores. Um assunto que muitas vezes é evitado por outros candidatos para desviar de polêmicas, têm sido muito utilizado por ele para alcançar uma parte da população que tem esta temática como critério.

“A parcela da população que é evangélica não é muito divida”, abordou Almeida. “Com exceção de pequenos nichos, os neo-pentecostais apoiam abertamente esta causa. Provavelmente, contar com o apoio desse eleitorado ainda será uma estratégia de Bolsonaro para 2022”.

Conforme a discussão levantada, pode ser observado que a pauta conservadora é o forte deste governo. No entanto, os especialistas comentam que, além dos evangélicos, há outro público que também mantém a preferência pelo capitão reformado.

“Quando se desconsidera o eleitorado protestante, a impressão que temos é que ficam apenas homens, brancos, ricos e com alto grau de instrução”, especifica Kramer. “Entretanto, quando você reincorpora o elemento evangélico, a tendência é que os eleitores tenham a pele mais escura, sejam de baixa renda e pouca escolaridade”.

Ainda sobre esta temática, o mestre e doutor em Ciência Política, abordou a desenvoltura das redes sociais do presidente. “Diferente do que muitos achavam, o Brasil não se tornou mais consevador, apenas demonstrou um país diferente do que os formadores de opinião proclamavam”, disse ele.

A questão Moro

O principal nome da terceira via é Sérgio Moro. De acordo com as pesquisas lançadas até agora, o ex-ministro da Justiça é o único dentre os candidatos menores a crescer – diferente de Ciro Gomes, que está na terceira disputa presidencial e não vê o seu desempenho mudar.

Apesar de não apresentar os mesmos posicionamentos políticos, Moro, que é evangélico, disputa o mesmo eleitorado que Bolsonaro. “Eles estão mais próximos ideologicamente entre si do que deLula”, apontou Caldas.

Um dos problemas destacados pelos especialistas para a campanha do jurista está na setorização de determinados eleitores que podem não ser alcançados por ele.

“Apesar de bons números em outras regiões do país, seria muito difícil que Moro conseguisse entrar no Nordeste”, comentou o diretor da ABCOP. “Mas isso é a graça de uma campanha: você começa em um ponto e termina em outro”.

Chapa Lula – Alckimin

Algumas especulações sugerem que o ex-presidente dê uma guinada ao centro e se associe ao ex-governador de São Paulo.

Os especialistas explicam que esta chapa não seria composta para angariar votos, visto que Geraldo Alckimin tem um histórico de perdas em disputas presidenciais, mas sim para transparecer credibilidade e quebrar a imagem de esquerda que o petista tem.

“O eleitorado de ambos os candidatos se acostumaram a se odiar mutuamente”, articulou Kramer. “A questão que fica é: esta chapa pode ser o passaporte para a eleição de Lula ou será a soma de duas rejeições”.

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