Falhas técnicas na indústria vão muito além de um problema operacional pontual. Interrupções em sistemas de energia, conectividade ou automação impactam diretamente o faturamento, a produtividade e a previsibilidade financeira das empresas. Em muitos casos, uma única hora de parada não programada gera perdas que se acumulam ao longo de toda a cadeia produtiva, afetando a produção, o cumprimento de contratos e a posição competitiva das companhias.
De acordo com a pesquisa global Value of Reliability, da Asea Brown Boveri (ABB), multinacional especializada em tecnologias de eletrificação e automação industrial, mais de dois terços das empresas industriais enfrentam paradas não planejadas ao menos uma vez por mês. O custo médio estimado é de cerca de US$ 125 mil por hora de inatividade, valor que, convertido para a realidade brasileira, pode ultrapassar R$ 700 mil por hora quando considerados os efeitos cambiais e inflacionários.
Na prática, os prejuízos não se restringem ao impacto financeiro imediato. Pausas inesperadas de máquinas, instabilidade de rede, falhas em sistemas críticos ou decisões técnicas inadequadas comprometem a operação no médio e longo prazo, elevando custos e reduzindo a eficiência.
Para William Cavalcanti, fundador e CEO da RGL Solutions, o erro mais comum das empresas é tratar essas ocorrências apenas como falhas técnicas isoladas. “Paradas recorrentes comprometem a previsibilidade da operação, aceleram o desgaste dos equipamentos, geram retrabalho e criam um ambiente de instabilidade que afeta toda a estratégia do negócio”, afirma.
Além da perda direta de produção, os problemas técnicos geram custos indiretos que muitas vezes não entram no planejamento financeiro. Entre eles estão o aumento da manutenção corretiva, o desperdício de investimentos, o consumo energético ineficiente e os riscos à segurança operacional. Esses fatores impactam indicadores estratégicos como eficiência produtiva, retorno sobre o capital investido e cumprimento de prazos e contratos.
Segundo Raphael Cabral, diretor comercial da RGL Solutions, muitos desses custos têm origem em decisões tomadas ainda na fase de projeto. “Em diversos projetos que analisamos, o prejuízo não está apenas na parada em si, mas no que vem depois. Correções emergenciais, adequações estruturais e ajustes técnicos acabam custando mais do que um projeto bem dimensionado desde o início”, explica.
Infraestrutura como decisão estratégica
Na avaliação da RGL Solutions, tratar infraestrutura apenas como um tema técnico é um erro estratégico. Energia, conectividade e automação precisam ser encaradas como decisões de gestão e financeiras, diretamente ligadas à Sustentabilidade do negócio, à eficiência operacional e à competitividade industrial.
“Quando a infraestrutura é bem planejada, ela deixa de ser um centro de custo e passa a ser um ativo estratégico. O oposto também é verdadeiro: falhas recorrentes corroem margens, aumentam riscos e comprometem o crescimento das empresas”, conclui William Cavalcanti.
Ao traduzir falhas técnicas em números, impactos operacionais e riscos estratégicos, o debate sobre infraestrutura ganha uma nova dimensão. Em um cenário de margens pressionadas e alta competitividade, compreender o custo real dos problemas técnicos torna-se essencial para decisões industriais mais eficientes e sustentáveis.




















