O setor de construção pesada e indústria de máquinas em Minas Gerais projeta uma retomada gradual dos investimentos privados ao longo de 2026, impulsionada principalmente por projetos de infraestrutura, concessões e obras de saneamento. Apesar do ambiente macroeconômico ainda desafiador, marcado por juros elevados e maior seletividade no crédito, empresas do setor avaliam que um conjunto relevante de obras deve avançar a partir do segundo semestre.
Esse movimento tende a gerar impacto direto na demanda por máquinas e equipamentos utilizados em obras de grande porte, como escavadeiras, carregadeiras e soluções de movimentação de carga.
Guilherme Nogueira, head da Bamaq Máquinas, afirma que o mercado atravessa um período de transição que exige planejamento estratégico e maior eficiência operacional por parte das empresas. Segundo ele, o cenário atual demanda mais do que expansão de capacidade.
“Não se trata apenas de ampliar capacidade, mas de garantir disponibilidade mecânica, controle de custos e cumprimento de cronogramas em contratos cada vez mais exigentes”, afirma.
Estratégia baseada em estoque e consultoria técnica
Para acompanhar o movimento esperado no setor, a empresa aposta em estoque estratégico de equipamentos e no fortalecimento de equipes de consultoria técnica avançada. A proposta é oferecer suporte técnico e operacional aos operadores de grandes projetos de infraestrutura.
Segundo Nogueira, os investidores estão mais criteriosos e buscam produtividade comprovada na operação das máquinas.
“Nosso foco é apoiar os grandes players de infraestrutura que assumirão essas concessões. Queremos ser reconhecidos não apenas como um revendedor, mas como um parceiro de produtividade que oferece solução completa, com máquina, manutenção e inteligência de dados”, explica.
No portfólio da companhia, seguem em destaque os equipamentos da linha de máquinas amarelas da New Holland Construction, além de soluções voltadas à movimentação de carga.
Modernização de frotas deve ganhar força
A expectativa da empresa é que a demanda por renovação e modernização de frotas aumente gradualmente conforme os projetos de infraestrutura avancem entre 2026 e 2027.
Minas Gerais é visto como um dos principais polos desse crescimento, especialmente por concentrar projetos de concessões rodoviárias e obras de saneamento com potencial de expansão.
Além do estado, a companhia também monitora oportunidades em regiões ligadas ao agronegócio e à mineração, setores que igualmente devem demandar modernização de equipamentos e aumento da capacidade operacional.
Tecnologia e conectividade no centro da estratégia
Entre os investimentos previstos para 2026, a empresa destaca a digitalização do pós-venda e a consolidação de unidades de atendimento técnico, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta em campo e ampliar a eficiência operacional.
A tecnologia também passa a ocupar papel central na estratégia, com a ampliação da oferta de máquinas conectadas equipadas com sistemas de telemetria avançada.
Esses sistemas permitem monitorar desempenho, antecipar falhas mecânicas, otimizar o consumo de combustível e elevar a disponibilidade operacional dos equipamentos.
Segundo o executivo, o diferencial competitivo está na capacidade de transformar dados operacionais em ganhos de produtividade e redução de custos para os clientes.
A empresa também estuda novas parcerias tecnológicas para ampliar o nível de conectividade das máquinas e permitir que gestores acompanhem, em tempo real e à distância, o desempenho dos ativos utilizados em obras.
Financiamento continua sendo desafio
Apesar das perspectivas positivas, o avanço dos investimentos ainda depende de condições adequadas de financiamento.
Em um cenário de crédito mais restrito, a empresa aposta em soluções financeiras personalizadas para viabilizar a renovação de frotas sem pressionar o fluxo de caixa das empresas contratantes.
Entre as alternativas estão o consórcio Bamaq e parcerias com instituições financeiras para estruturar modelos de financiamento adaptados ao atual cenário de juros elevados.
Trajetória de resiliência
Segundo Nogueira, em 2025 a empresa consolidou uma trajetória de resiliência mesmo diante da volatilidade macroeconômica, ampliando participação de mercado em estados estratégicos.
Ele destaca que o crescimento não esteve restrito à venda de máquinas, mas também à expansão da área de serviços e pós-venda, que apresentou aumento significativo na recorrência.
Para o executivo, o amadurecimento do mercado — no qual clientes priorizam disponibilidade mecânica e eficiência operacional — reforça as perspectivas positivas para os próximos anos.
Com uma carteira mais diversificada e estrutura técnica ampliada, a empresa inicia 2026 apostando na combinação de tecnologia, serviços e soluções financeiras para acompanhar a retomada gradual dos investimentos em infraestrutura no país.


















