A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço nas empresas brasileiras, mas sua adoção ainda ocorre, em grande parte, por meio de soluções prontas e padronizadas. Embora esse movimento tenha acelerado a entrada da Tecnologia no ambiente corporativo, especialistas alertam que a geração de valor depende da capacidade das organizações de adaptar essas ferramentas às suas necessidades específicas.
Dados da pesquisa TIC Empresas 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostram que 17% das empresas brasileiras utilizaram algum tipo de inteligência artificial em 2025. Em 2024, esse percentual era de 13%.
Uso da IA cresce conforme o porte da empresa
O levantamento revela diferenças significativas na adoção da tecnologia de acordo com o tamanho das organizações.
Entre as pequenas empresas, 15% utilizam IA. O percentual sobe para 32% nas médias empresas e alcança 50% nas grandes corporações.
Os números indicam que a tecnologia avança no mercado nacional, mas ainda está concentrada em empresas com maior capacidade de investimento e estrutura tecnológica.
Soluções prontas lideram adoção
Segundo a pesquisa, 80% das empresas que utilizam inteligência artificial recorrem a softwares e sistemas prontos para uso. O índice é superior ao registrado em 2024, quando 76% adotavam esse modelo.
A preferência por soluções prontas aparece em todos os portes empresariais:
- 79% nas pequenas empresas;
- 83% nas médias empresas;
- 81% nas grandes empresas.
Já as iniciativas que envolvem desenvolvimento ou adaptação interna permanecem em patamares menores. Em 2025:
- 26% utilizaram soluções desenvolvidas pelos próprios funcionários;
- 30% adotaram sistemas modificados internamente;
- 26% recorreram a softwares de código aberto adaptados pela empresa.
Como as categorias não são excludentes, uma mesma organização pode utilizar mais de uma dessas abordagens simultaneamente.
Automação lidera aplicações
A principal utilização da inteligência artificial nas empresas brasileiras está relacionada à automação de processos e fluxos de trabalho. Essa aplicação foi citada por 68% das organizações que já utilizam a tecnologia.
A adoção de plataformas prontas reduz custos iniciais e simplifica a implementação, permitindo que empresas ingressem rapidamente no universo da IA. No entanto, especialistas destacam que essa etapa representa apenas o começo da transformação digital.
Próximo desafio é gerar valor estratégico
Para especialistas do setor, o diferencial competitivo não está apenas na adoção da inteligência artificial, mas na capacidade de integrá-la à operação, aos processos internos e à estratégia de negócios.
Questões como integração com sistemas legados, governança de dados, controle de qualidade, revisão de processos e adequação às necessidades específicas de cada organização passam a ganhar relevância à medida que o uso da tecnologia amadurece.
Nesse cenário, a próxima etapa da transformação digital das empresas brasileiras tende a ser menos focada na simples implementação da IA e mais na capacidade de converter seu uso em ganhos concretos de produtividade, eficiência e geração de valor.
Com informação Agência Brasil.






















