A logística deverá passar por mudanças estruturais nas próximas décadas, impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial (IA), pela reorganização das cadeias globais de suprimentos, pela necessidade de operações mais resilientes e sustentáveis e pelas novas exigências dos consumidores.
As perspectivas foram discutidas durante o encontro nsclub Diálogos 2026, que reuniu executivos de diferentes segmentos da cadeia logística para avaliar os principais desafios e tendências do setor até 2055.
Um dos pontos destacados foi a crescente complexidade das operações. A integração entre empresas, sistemas e informações em tempo real ainda é um desafio, principalmente porque a logística reúne diferentes segmentos, como agronegócio, cadeia frigorificada, transporte de grãos, indústria farmacêutica, siderurgia, varejo e indústria química.
Segundo os participantes do debate, a evolução do setor dependerá cada vez mais da capacidade de conectar informações, processos e diferentes agentes da cadeia. Nesse cenário, modelos baseados em redes especializadas podem ganhar espaço ao permitir o compartilhamento de dados e o aumento da previsibilidade das operações.
Inteligência artificial
A inteligência artificial deve ampliar sua participação nas atividades logísticas. A expectativa é que a Tecnologia deixe de ser utilizada apenas para automatizar tarefas específicas e passe a auxiliar na coordenação de operações, previsão de demandas e tomada de decisões em tempo real.
Apesar do avanço tecnológico, especialistas ressaltam que governança, qualidade dos dados e supervisão humana continuarão sendo necessários para garantir a eficiência e a segurança dos processos.
Logística como estratégia empresarial
Outro movimento apontado é a mudança no papel da logística dentro das empresas. A atividade, tradicionalmente associada à operação e à distribuição, tende a assumir uma posição mais estratégica, influenciando custos, competitividade, expansão dos negócios e relacionamento com clientes.
A necessidade de entregas mais rápidas e previsíveis também deve manter a experiência do consumidor como um dos principais fatores de transformação do setor.
Velocidade, transparência, rastreabilidade e confiabilidade deverão continuar entre os principais critérios utilizados pelos consumidores para avaliar os serviços de entrega.
Infraestrutura continua como desafio
Apesar da evolução de tecnologias como automação, eletrificação, drones e transporte multimodal, a infraestrutura deverá permanecer entre os principais obstáculos para o desenvolvimento da logística.
Rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e sistemas urbanos de transporte, além do ambiente regulatório, terão papel importante na capacidade de expansão e modernização do setor.
Fundamentos permanecem
Mesmo com a adoção de novas tecnologias, os princípios básicos da logística devem permanecer. Eficiência, previsibilidade, rastreabilidade, integração, confiabilidade e capacidade de adaptação continuam sendo considerados fundamentais para o funcionamento das cadeias de suprimentos.
A diferença estará na forma como dados e ferramentas tecnológicas serão utilizados para aprimorar esses processos.
Efeito de rede
Outro conceito que deve ganhar importância é o chamado Network Effect, ou efeito de rede. A lógica é que uma rede se torna mais útil à medida que aumenta o número de participantes conectados.
Na logística, esse modelo pode ser aplicado a redes especializadas por segmentos. Quanto maior a participação de embarcadores, transportadores, operadores logísticos e outros agentes de uma determinada cadeia, maior pode ser a quantidade de informações disponíveis para melhorar o planejamento e a tomada de decisões.
Para os especialistas, a combinação entre tecnologia, integração e colaboração poderá determinar a competitividade do setor nas próximas décadas. O desafio será transformar o grande volume de dados e conexões existentes na cadeia logística em informações capazes de melhorar a eficiência e a previsibilidade das operações.
Seis tendências para a logística
- Inteligência artificial: ampliação do uso da tecnologia na coordenação e previsão de operações.
- Função estratégica: maior participação da logística nas decisões de crescimento e competitividade das empresas.
- Experiência do consumidor: manutenção da velocidade, transparência e previsibilidade como prioridades.
- Infraestrutura: necessidade de investimentos e melhorias regulatórias para acompanhar a evolução tecnológica.
- Fundamentos operacionais: permanência de eficiência, rastreabilidade e confiabilidade como pilares do setor.
- Efeito de rede: crescimento de redes especializadas e compartilhamento de informações entre participantes da mesma cadeia.






















