O governo do presidente Donald Trump já revogou mais de 175 mil vistos desde o início do atual mandato, segundo informações divulgadas pelo Departamento de Estado. O número supera os mais de 100 mil cancelamentos anunciados anteriormente e faz parte do endurecimento das políticas de imigração e de controle de entrada nos Estados Unidos.
De acordo com o governo americano, a maior parte das revogações está relacionada a situações como envolvimento com crimes, violações das condições do visto, fraude migratória e questões de segurança pública ou nacional. Entre os casos mencionados estão acusações ou registros relacionados a agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, furto e crimes mais graves.
A política também passou a dar maior atenção à atividade de estrangeiros nas redes sociais. O Departamento de Estado ampliou, em 2026, a análise da presença on-line de solicitantes de diferentes categorias de visto. O governo afirma que utiliza informações disponíveis para avaliar se o candidato é elegível e se representa ameaça à segurança nacional ou à segurança pública.
Redes sociais entram no processo de avaliação
Um dos episódios que evidenciou essa mudança ocorreu após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, em 2025. Na ocasião, o Departamento de Estado anunciou a revogação de vistos de seis estrangeiros por comentários publicados nas redes sociais sobre a morte do ativista. Os envolvidos eram nacionais de Argentina, Brasil, Alemanha, México, Paraguai e África do Sul.
O governo americano afirmou que estrangeiros que celebrassem ou fizessem comentários considerados de apoio à morte de Kirk poderiam sofrer consequências migratórias. O episódio provocou debate sobre os limites da utilização de manifestações políticas ou opiniões publicadas na internet em decisões relacionadas à imigração.
A ampliação da análise de redes sociais faz parte de um processo mais abrangente de “continuous vetting”, ou monitoramento contínuo, pelo qual informações novas podem ser utilizadas para reavaliar a situação de pessoas que possuem vistos válidos.
Governo amplia fiscalização migratória
Além das revogações relacionadas a crimes e publicações on-line, o Departamento de Estado também informou casos associados a fraude migratória e ao chamado turismo de nascimento, prática em que estrangeiros viajam aos Estados Unidos com o objetivo principal de dar à luz no país.
Em um dos casos divulgados pelo governo, mais de 100 vistos foram revogados em uma operação relacionada a esse tipo de situação no Norte da África.
As medidas fazem parte de uma política mais ampla de endurecimento da imigração durante o segundo mandato de Trump, que inclui mudanças nos procedimentos de análise de vistos e restrições à entrada de cidadãos de determinados países.
Debate sobre liberdade de expressão
A utilização de manifestações publicadas na internet em decisões migratórias tem provocado questionamentos de organizações de direitos civis. Críticos argumentam que a adoção de critérios relacionados à expressão política pode ampliar o alcance do poder do governo sobre estrangeiros que não cometeram crimes.
O governo, por outro lado, sustenta que o visto é uma autorização concedida sob determinadas condições e que as autoridades americanas têm responsabilidade de avaliar continuamente a elegibilidade de estrangeiros para entrada e permanência no país. O Departamento de Estado afirma que todas as decisões de concessão de visto envolvem avaliação de segurança nacional e pública.
O volume de mais de 175 mil revogações mostra a dimensão da atual política de fiscalização. Ao mesmo tempo, a inclusão crescente de informações disponíveis nas redes sociais amplia o debate sobre quais comportamentos e manifestações podem influenciar a situação migratória de estrangeiros nos Estados Unidos.






















