Um apagão de grandes proporções nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro pode provocar prejuízos de até R$ 4,6 bilhões caso seja provocado pela combinação de um ataque cibernético e eventos climáticos extremos, segundo estudo da empresa de cibersegurança TI Safe. A análise alerta para a vulnerabilidade da infraestrutura crítica brasileira e destaca que interrupções prolongadas no fornecimento de energia têm potencial para desencadear impactos econômicos, sociais e operacionais em diversos setores.
De acordo com o levantamento, um blecaute de uma hora nas duas maiores economias urbanas do país geraria perdas estimadas em R$ 95,8 milhões. Se a interrupção durar 24 horas, os prejuízos podem alcançar R$ 2,3 bilhões. No cenário mais severo, que considera um ataque cibernético aos sistemas elétricos aliado a um evento climático extremo relacionado ao fenômeno El Niño, as perdas podem chegar a R$ 4,6 bilhões em pouco mais de um dia.
O estudo utilizou como referência o Produto Interno Bruto (PIB) de São Paulo e do Rio de Janeiro, atualizado para valores de 2026, para calcular o fluxo econômico das cidades por hora. A metodologia considerou uma perda líquida de 50% da atividade econômica, levando em conta que parte das operações pode ser mantida por geradores ou recuperada posteriormente, enquanto outra parcela é perdida devido à paralisação de serviços, interrupção da produção, falhas logísticas e custos emergenciais.
Efeitos em cadeia
Segundo a TI Safe, os impactos de um apagão vão além da falta de energia elétrica e desencadeiam efeitos em diversos segmentos da sociedade.
Nos primeiros minutos, sistemas de pagamento eletrônico, semáforos, elevadores e parte das telecomunicações já começam a apresentar falhas. Com o passar das horas, aumentam os problemas logísticos, as interrupções na produção industrial, as perdas de alimentos perecíveis, as dificuldades no atendimento hospitalar, as limitações no abastecimento de combustíveis e a sobrecarga dos serviços públicos.
A empresa ressalta que, à medida que geradores e baterias de emergência esgotam sua autonomia, cresce o risco de paralisação de serviços considerados essenciais.
Ataques cibernéticos ampliam riscos
Além dos eventos climáticos, o estudo chama atenção para o aumento da importância da cibersegurança na proteção da infraestrutura elétrica.
Segundo a análise, ataques direcionados a sistemas de supervisão, automação, telecomunicações operacionais ou centros de controle podem dificultar significativamente o processo de restabelecimento da energia.
A avaliação aponta que, diferentemente de falhas convencionais na rede elétrica, incidentes cibernéticos podem comprometer a confiabilidade das informações utilizadas pelos operadores, tornando a recuperação mais lenta e exigindo verificações adicionais antes da retomada do fornecimento.
Fenômenos climáticos elevam pressão sobre o sistema
O levantamento também destaca que o retorno do fenômeno El Niño aumenta a probabilidade de condições climáticas capazes de pressionar o sistema elétrico.
Entre os fatores citados estão ondas de calor, tempestades severas, ventos intensos, descargas atmosféricas, incêndios florestais e o aumento do consumo de energia provocado pela necessidade de climatização.
Segundo o estudo, esses fatores, isoladamente, não significam que ocorrerá um grande apagão, mas reduzem as margens de segurança do sistema e podem ampliar os impactos caso coincidam com falhas técnicas ou incidentes de segurança digital.
Necessidade de fortalecer a infraestrutura
A TI Safe defende que investimentos em cibersegurança industrial, continuidade operacional, redundância tecnológica, monitoramento permanente e planos de resposta a incidentes são fundamentais para reduzir riscos e acelerar a recuperação diante de eventos extremos.
De acordo com a empresa, fortalecer a proteção da infraestrutura crítica é essencial não apenas para evitar prejuízos econômicos, mas também para garantir a continuidade dos serviços que sustentam o funcionamento das cidades e da economia.






















