A capacidade técnica, por muitos anos considerada o principal critério para promoções a cargos de liderança, já não é suficiente para atender às exigências do mercado. Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, mudanças regulatórias e crescente complexidade dos negócios, empresas buscam gestores capazes de combinar conhecimento técnico com visão estratégica, gestão de pessoas, finanças e inovação.
Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das competências exigidas dos trabalhadores deverão mudar até 2030. Entre as habilidades que mais ganham relevância estão pensamento analítico, resiliência e liderança. O estudo também aponta que a falta de profissionais com as competências necessárias é o principal obstáculo para a transformação dos negócios, citado por 63% dos empregadores entrevistados.
Mudança de função exige novas competências
Para Raquel Schürmann, gerente executiva da Fritz Müller – Hub de Conhecimento, a principal dificuldade enfrentada pelos profissionais promovidos à liderança está na mudança de responsabilidades.
Segundo ela, ao assumir uma posição de gestão, o profissional deixa de responder apenas pela própria entrega e passa a ser responsável por resultados coletivos, desenvolvimento das equipes e fortalecimento da cultura organizacional, atribuições que normalmente não fazem parte da formação técnica tradicional.
Perfil T-shaped ganha espaço
Nesse contexto, cresce a valorização dos chamados profissionais “T-shaped”, perfil caracterizado por combinar profundo conhecimento técnico em uma área específica com uma visão ampla do negócio.
Esse modelo reúne competências relacionadas à estratégia, operações, Tecnologia, gestão de pessoas e inovação, permitindo que o líder compreenda de forma integrada os diferentes aspectos da organização e tome decisões mais alinhadas aos objetivos empresariais.
Segundo Raquel Schürmann, o desafio atual das empresas não está apenas em contratar especialistas, mas em formar profissionais capazes de liderar equipes e conduzir organizações em ambientes cada vez mais complexos.
Formação executiva cresce como alternativa
A demanda por esse novo perfil de liderança tem impulsionado a procura por programas de formação executiva voltados ao desenvolvimento de competências gerenciais.
De acordo com a executiva, iniciativas desse tipo priorizam uma abordagem prática, baseada em simulações empresariais, estudos de caso e desafios reais enfrentados pelas organizações.
Entre os temas abordados estão estratégia e negócios, finanças empresariais, liderança adaptativa, inovação, governança corporativa e pensamento sistêmico aplicado à análise de dados, além de atividades como hackathons e desenvolvimento de projetos.
Liderança passa a exigir visão sistêmica
Para especialistas, o mercado valoriza cada vez mais líderes capazes de compreender como diferentes áreas da empresa se conectam e influenciam os resultados do negócio.
Nesse cenário, a capacidade de integrar conhecimentos técnicos, gestão, inovação e tomada de decisão tende a se consolidar como um dos principais diferenciais para profissionais que ocupam ou pretendem assumir posições de liderança.






















