O uso de inteligência artificial nas equipes de Tecnologia no Brasil avançou de forma significativa em 2025, mas os ganhos ainda não se refletem de maneira consistente no desempenho das organizações. É o que aponta o relatório Leading Tech Report 2026, conduzido pela BossaBox com 143 líderes das áreas de Produto, Engenharia e Inovação.
Segundo o levantamento, 82,6% das empresas ampliaram o uso de ferramentas de IA no último ano. Apesar disso, apenas 31,5% atingiram um alto nível de maturidade na aplicação da tecnologia.
Para o CEO da BossaBox, André Abreu, o avanço na adoção não garante, por si só, melhores resultados. “Estamos vendo um movimento claro de uso de IA dentro dos times de tecnologia. Muitas tarefas estão mais rápidas, principalmente em Engenharia. Mas acelerar partes do fluxo não significa que o sistema inteiro ficou mais eficiente”, afirma.
Diferenças entre áreas
O estudo também revela desigualdade na aplicação da tecnologia entre diferentes áreas. Enquanto 40,6% das empresas relatam alta adoção de IA em Engenharia, apenas 25,2% dizem o mesmo em Produto.
Esse cenário indica que a inteligência artificial tem sido aplicada inicialmente em tarefas mais técnicas, com a integração em decisões estratégicas ocorrendo de forma mais gradual.
Produtividade nem sempre vira resultado
Apesar de ganhos individuais de produtividade, o impacto no desempenho geral das empresas ainda é limitado. A eficiência em etapas específicas do desenvolvimento pode gerar pressão em outras fases, como revisão, validação e alinhamento entre equipes.
Isso mostra que o aumento de velocidade em partes do processo não garante melhoria no fluxo como um todo.
Desafio é transformar operação
O relatório conclui que o principal desafio das empresas agora é promover uma transformação mais ampla nos modelos operacionais. Não basta apenas adotar ferramentas de IA — é necessário repensar processos, responsabilidades e formas de trabalho.
A tendência é que, à medida que as empresas avancem na maturidade do uso da tecnologia, os ganhos passem a ser mais consistentes e perceptíveis no desempenho dos negócios.





















