Entrar no mercado de marketplaces já não é mais privilégio de quem dispõe de alto capital inicial. Dados da Associação Brasileira de Comércio eletrônico (ABComm) mostram que a maioria dos novos vendedores digitais inicia com operações enxutas, validando produtos e processos antes de ampliar os investimentos.
Para o especialista em vendas de produtos físicos por marketplaces Hugo Vasconcelos, o erro mais comum é superestimar o valor necessário para começar. “O marketplace já entrega tráfego, pagamento e logística. O investimento inicial precisa ser compatível com a fase do negócio, não com o sonho de escala”, afirma.
Confira oito passos essenciais para iniciar vendas online sem grandes aportes financeiros:
- Escolher uma categoria com demanda recorrente
O primeiro passo é analisar categorias com giro constante e menor risco de encalhe. Segundo a ABComm, itens de consumo recorrente lideram o volume de pedidos no e-commerce brasileiro. “Produto bom não é o mais barato, é o que gira”, diz Vasconcelos.
- Começar com poucos produtos
Entrar com um portfólio reduzido diminui o capital imobilizado em estoque. “Não faz sentido começar com dezenas de SKUs. Dois ou três produtos bem escolhidos são suficientes para validar a operação”, explica.
- Usar a infraestrutura do marketplace
Plataformas como Mercado Livre e Shopee oferecem meios de pagamento, sistemas antifraude e soluções logísticas integradas. Isso elimina custos iniciais com site próprio, gateway de pagamento e contratos de frete.
- Priorizar logística simples e escalável
Modelos como envio facilitado e fulfillment reduzem a necessidade de estrutura física. Vendedores que terceirizam parte da logística conseguem escalar sem ampliar custos fixos. “Você paga por pedido, não por estrutura ociosa”, pontua.
- Investir mais em precificação do que em volume
Definir o preço correto desde o início é mais importante do que comprar grande quantidade. Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que erros de precificação estão entre as principais causas de desistência de pequenos negócios digitais. “Margem errada quebra mais negócio do que falta de venda”, diz.
- Estruturar anúncios antes de investir mais
Fotos claras, descrição objetiva e título otimizado impactam diretamente a conversão. “Um anúncio bem feito vende mais do que estoque cheio e mal apresentado”, afirma o especialista.
- Reinverter o próprio faturamento
Em vez de realizar novos aportes, a recomendação é utilizar o lucro das primeiras vendas para ampliar gradualmente o estoque. “O crescimento saudável acontece quando o negócio se financia”, explica.
- Acompanhar dados desde o primeiro pedido
Métricas como taxa de conversão, custo logístico e margem devem ser monitoradas desde o início. “Marketplace não é aposta. É gestão diária, mesmo quando o faturamento ainda é pequeno”, conclui Vasconcelos.
O avanço do comércio eletrônico no Brasil reforça esse cenário. O setor movimentou R$ 100,5 bilhões no primeiro semestre de 2025, segundo a ABComm, e segue atraindo novos vendedores pela possibilidade de começar pequeno, com risco controlado e estrutura já disponível.





















