O presidente norte-americano Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (9) a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras a partir de 1º de agosto de 2025, como resposta direta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil e ao que Trump classificou como “perseguição política” e “ataques à liberdade de expressão”.
Segundo comunicado oficial enviado à imprensa, Trump afirmou que o Brasil “optou por enfraquecer valores democráticos fundamentais ao perseguir seus ex-líderes e censurar plataformas de mídia social com sede nos Estados Unidos”. A decisão afeta setores estratégicos da exportação brasileira como alimentos, vestuário, calçados, cosméticos, autopeças e Tecnologia.
“Não permitiremos que aliados comerciais reprimam a liberdade. A resposta virá na forma de tarifas duras”, declarou Trump em carta direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Itamaraty convocou o encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos da declaracao . A chancelaria classificou as declarações como “improcedentes” e destacou que qualquer medida punitiva violará regras da OMC. O governo brasileiro estuda contramedidas e pode recorrer ao órgão internacional.
Impacto no Comércio Brasil-EUA
A medida surpreende autoridades e empresários brasileiros e pode gerar impacto bilionário nas exportações do país. Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 37 bilhões em bens para o mercado norte-americano.
Com a nova tarifa, especialistas preveem:
- Aumento do custo final dos produtos brasileiros no varejo norte-americano
- Redução da competitividade de marcas brasileiras já estabelecidas nos EUA
- Possíveis represálias diplomáticas e comerciais por parte do Brasil
Reação diplomática
Em Brasília, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a medida “afeta diretamente o equilíbrio das relações comerciais bilaterais” e avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Empresários ligados à CNI, ABIEC e ApexBrasil pedem diálogo urgente entre os países para conter prejuízos. A decisão pode afetar pequenas e médias empresas que, principalmente, atuam no comércio bilateral com os EUA.
Ibovespa recua 1,3% após Trump incluir Brasil em nova escalada da guerra comercial
O principal índice da B3, o Ibovespa, encerrou o pregão desta quarta-feira em queda de 1,3%, fechando aos 137.481 pontos, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou publicamente o Brasil como “próximo alvo” em sua política de tarifas globais.
Durante coletiva na Casa Branca, Trump declarou que “o Brasil, por exemplo, não tem sido bom para nós, nada bom”.