O Brasil deu passos importantes na implantação do 5G, mas especialistas alertam que a tecnologia ainda não se consolidou no país, mesmo diante das discussões sobre a chegada do 6G por volta de 2030.
Nos últimos anos, a telefonia móvel evoluiu rapidamente. O 3G ficou no passado, o 4G se firmou como padrão e o 5G começou a se expandir. Agora, empresas e governos anunciam pesquisas e testes relacionados ao 6G, que promete velocidades até 50 vezes maiores, latência quase inexistente e integração com satélites e inteligência artificial.
Situação atual do 5G no Brasil
Desde o lançamento comercial em 2022, o 5G alcançou aproximadamente 85% da população brasileira e já conta com mais de 40 milhões de aparelhos compatíveis, segundo estimativas do setor. A previsão é que o número chegue a 60 milhões até 2025.
Apesar da ampla cobertura técnica, o uso real é limitado. Um estudo da OpenSignal apontou que os usuários permanecem conectados ao 5G em apenas 13% do tempo. Além disso, mais de 100 milhões de dispositivos continuam restritos ao 4G.
Desafios de expansão
A consolidação do 5G enfrenta obstáculos que vão além da cobertura geográfica:
- Alto custo de aparelhos compatíveis, ainda inacessíveis para grande parte da população;
- Infraestrutura concentrada nas grandes cidades, com áreas de sombra mesmo em locais oficialmente atendidos;
- Adoção desigual em setores produtivos, onde o potencial para automação, internet das coisas (IoT) e telemedicina ainda é pouco explorado.
Realidade na América Latina
Esse cenário não é exclusivo do Brasil. Em outros países latino-americanos, a infraestrutura avança, mas grande parte da população permanece desconectada ou com serviços precários, especialmente em áreas rurais, indígenas e periféricas, onde predominam sinal instável e baixa velocidade.
Impactos positivos já observados
Mesmo com limitações, o 5G já gera benefícios concretos para setores estratégicos. No agronegócio, logística, saúde e indústria, a conectividade tem impulsionado ganhos de produtividade, redução de custos e o desenvolvimento de soluções em tempo real, como veículos autônomos e telemedicina.
Na área de pesquisa, a baixa latência e a alta velocidade permitem simulações avançadas, análise de grandes volumes de dados e controle remoto de equipamentos, fatores considerados essenciais para a competitividade global.
Caminho para o 6G
O Brasil já iniciou sua preparação para o 6G. O Programa Brasil 6G, coordenado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), pelo Inatel e pelo CPQD, desenvolve um espaço de testes para a próxima geração de redes, prevista para ser lançada por volta de 2030.
As expectativas para o 6G incluem:
- Velocidade até 50 vezes superior à do 5G;
- Latência mínima;
- Integração com satélites, IoT e inteligência artificial;
- Aplicações avançadas em realidade aumentada, holografia e ambientes imersivos.
Inclusão como desafio central
Especialistas reforçam que o verdadeiro avanço não se mede apenas pela velocidade da rede, mas pela capacidade de ampliar o acesso de forma inclusiva. Hoje, milhões de brasileiros ainda enfrentam barreiras para usufruir plenamente do 5G.
O futuro, defendem analistas, deve combinar Inovação tecnológica com políticas que garantam infraestrutura mais robusta e acessível, de modo a transformar a conectividade em um vetor de inclusão social e desenvolvimento econômico.
