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Pecuária brasileira pode se beneficiar com o governo Joe Biden

As questões ambientais voltaram a ser prioridade para os Estados Unidos com o governo Joe Biden.

Além do retorno para o Acordo de Paris, existe uma proposta de um aporte de US$20 bilhões para apoiar ações voltadas à conservação de florestas.

Essa mudança pode beneficiar a pecuária brasileira que vem trabalhando fortemente para seus resultados nos quesitos socioambientais.

Para citar apenas dois exemplos: no Pará produtores e frigoríficos se uniram e estão desenvolvendo uma plataforma online para ajudar àqueles que desejam regularizar pendências socioambientais; e no Mato Grosso, a Liga do Araguaia, um movimento de produtores rurais, promove a adoção de práticas sustentáveis na pecuária.

De acordo com o engenheiro agrônomo Francisco Beduschi Neto, executivo da National Wildlife Federation (NWF) no Brasil, esses e outros bons exemplos reforçam o movimento do setor para dar transparência aos resultados. “Precisamos comunicar nosso progresso e mostrar onde e como o boi está sendo criado. Com isso, poderemos ter acesso a mais recursos e a novos mercados”.

Ele lembra ainda que a lei da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, publicada no dia 14 de janeiro ajudará a beneficiar os produtores. “Ela será essencial para o dinheiro chegar às mãos dos produtores. Assim, temos os meios – a floresta em pé, a produção com qualidade; e as ferramentas institucionais para vender mais e ainda trazer mais recursos para o Brasil”. Contudo, Beduschi ressalta a importância do cumprimento de algumas obrigações, como por exemplo, finalizar a implementação do Código Florestal.

Além do fator socioambiental, o executivo da NWF no Brasil também avalia dois outros fatores relevantes na pecuária: oferta e demanda.

No primeiro item, as projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento são positivas, com um aumento até 2030 de 16% na produção. A seu ver, esse crescimento se dará, principalmente, pelo aumento da produtividade, como a redução de idade e aumento do peso de abate.

Em termos de demanda, o Ministério aponta um consumo doméstico com uma alta de apenas 10% neste período. Beduschi analisa a relevância de expandir internacionalmente a atuação do país para manter equilibrados os dois lados da balança.

“A China se manterá como um forte comprador da carne bovina brasileira na primeira metade dessa década, mas com declínio gradual de demanda na segunda metade, ao reverter a situação causada pela peste suína africana em 2019”, pondera. “Portanto, num cenário de vendas concentradas e retomada da produção de bens substitutos no mesmo mercado, será necessário diversificar os compradores para seguir expandindo”, finaliza.

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