A alta inflação e o aumento do custo de vida estão impactando a percepção da população da região Sudeste sobre a economia do Brasil. De acordo com a pesquisa RADAR FEBRABAN, realizada em março pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), a percepção de que os preços estão muito mais altos cresceu significativamente nos últimos seis meses.
Em março, 89% dos entrevistados afirmaram que os preços aumentaram substancialmente, um aumento de 12 pontos percentuais em relação aos 77% registrados em setembro de 2024.
Principais itens que influenciam a percepção sobre o aumento de preços
A pesquisa também identificou os itens que mais influenciam a percepção sobre o aumento dos preços. A grande maioria, 76% dos entrevistados, apontou alimentos e outros produtos do abastecimento doméstico como principais responsáveis pela alta.
Esse percentual aumentou em relação à pesquisa anterior, quando 72% mencionaram esses itens. O custo com saúde e o preço dos combustíveis foram destacados por 32% dos participantes, enquanto a preocupação com os juros de cartões de crédito, financiamentos e empréstimos apareceu em quarto lugar, com 16%.
Expectativas sobre a situação do país em 2025
A crescente insatisfação com a economia refletiu-se também nas expectativas dos brasileiros sobre a situação do país em 2025. Embora o pessimismo tenha sido moderado, a pesquisa revelou um pequeno aumento no número de pessoas que acreditam que o Brasil piorou nos últimos meses.
Em dezembro, 28% dos entrevistados afirmaram que a situação do país havia se deteriorado, e em março, esse percentual subiu para 30%. Por outro lado, a soma daqueles que acreditam que o país vai melhorar ou permanecerá na mesma situação permaneceu estável, com 68% de concordância.
Percepção de inflação elevada
A pesquisa também mostrou que a percepção de inflação elevada é ampla, atingindo mais de 85% dos entrevistados em todas as regiões e estratos sociodemográficos.
Análise do sociólogo Antonio Lavareda
O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE, atribui as dificuldades econômicas do Brasil a uma série de fatores.
“As notícias sobre a economia, marcadas no primeiro trimestre por temas como o aumento da inflação e da taxa de juros, a revisão para baixo das previsões de crescimento do PIB e possíveis impactos das políticas comerciais dos EUA sob o novo governo de Donald Trump, geraram incertezas e afetaram as expectativas dos brasileiros”, afirmou.
A pesquisa RADAR FEBRABAN visa mapear a percepção da população sobre a vida, a economia e as prioridades do país, além de apurar a opinião das cinco regiões brasileiras.