O aumento da inadimplência no Brasil e a alta taxa de reincidência entre consumidores negativados acendem um alerta para a necessidade de maior planejamento e educação financeira.
Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em maio de 2024, 83,48% das negativações registradas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) foram de devedores reincidentes — ou seja, consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos 12 meses anteriores.
Entre esses devedores reincidentes, 62,98% ainda não haviam quitado dívidas anteriores, enquanto 20,50% chegaram a sair do cadastro, mas voltaram a ser negativados no mesmo período.
Na capital mineira, dados da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) indicam um crescimento de 2,81% no número de inadimplentes em maio, em comparação ao mesmo mês de 2023.
Contexto econômico desfavorável
Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o cenário macroeconômico contribui diretamente para o endividamento das famílias.
“O ambiente está delicado, com juros elevados, inflação e dificuldades de acesso ao crédito. Isso compromete a capacidade de consumo das famílias e favorece o descontrole das finanças pessoais”, afirma.
Diante desse panorama, especialistas destacam que o planejamento financeiro se torna ainda mais essencial para manter o equilíbrio das contas e evitar o endividamento excessivo.
Medidas recomendadas
Entre as principais orientações para conter os gastos, Souza e Silva recomenda:
- Priorização de despesas essenciais: separar o que é indispensável — como moradia, alimentação e saúde — de itens que podem ser adiados ou eliminados, como lazer e compras por impulso;
- Formação de reserva de emergência: mesmo que em valores reduzidos, a recomendação é poupar ao menos 5% da renda mensal para imprevistos. “Essas situações são grandes causadoras de inadimplência, pois levam ao uso de crédito caro”, explica;
- Evitar parcelamentos longos e crédito rotativo: a preferência deve ser por pagamentos à vista. Em casos de necessidade de parcelamento, é essencial avaliar o impacto das parcelas no orçamento. O uso do crédito rotativo do cartão deve ser evitado, já que apresenta as taxas de juros mais altas do mercado.
Educação financeira como ferramenta de prevenção
Segundo a CDL/BH, adotar hábitos básicos de educação financeira é o primeiro passo para melhorar o controle sobre as finanças pessoais. A recomendação inicial é registrar os gastos diários para identificar excessos e ajustar o consumo.
Em seguida, é importante elaborar um orçamento mensal, considerando renda, despesas fixas e um valor destinado à poupança.
“Estabelecer metas alcançáveis, evitar novos parcelamentos e buscar a quitação de dívidas são atitudes que contribuem para retomar o equilíbrio financeiro”, conclui Marcelo de Souza e Silva.