O setor de alimentação fora do lar (AFL) chega ao Mês da Mulher com um marco importante: as mulheres já são maioria à frente dos negócios. Levantamento inédito realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com base em dados da Receita Federal de 2026, mostra que, entre as empresas em que foi possível identificar o gênero dos sócios, 52,7% possuem predominância feminina na liderança, enquanto 47,3% são comandadas majoritariamente por homens. A diferença representa cerca de 75,8 mil empresas.
O protagonismo feminino também aparece com força entre os microempreendedores individuais (MEIs). Nesse modelo, as mulheres lideram 52,6% dos estabelecimentos, enquanto os homens estão à frente de 41%. Já entre empresas constituídas como sociedades, a participação feminina é de 38,3%, enquanto a masculina alcança 56%.
A análise por tipo de negócio revela que alguns segmentos concentram uma presença ainda maior de empreendedoras. O destaque é o setor de delivery e marmitarias, onde as mulheres lideram 67,34% das operações. Em seguida aparecem lanchonetes, com 45,99% de participação feminina; restaurantes, com 44,07%; padarias, com 45,33%; e bares, com 37,40%.
Distribuição regional mostra presença feminina em todo o país
Os dados também indicam que a presença feminina na liderança dos negócios de alimentação fora do lar está espalhada por diversas regiões do Brasil. Em alguns estados, inclusive, as mulheres já superam os homens no comando das empresas.
É o caso da Bahia, onde elas representam 50,86% dos negócios; do Espírito Santo, com 52,02%; de Minas Gerais, com 50,14%; do Rio de Janeiro, com 52,86%; e do Rio Grande do Sul, com 50,68%. Em São Paulo, maior mercado do país, a participação feminina chega a 49,13%, indicando um cenário próximo da paridade.
Segundo a presidente do Conselho de Administração da Abrasel, Rosane Oliveira, os números refletem uma transformação estrutural no setor de alimentação fora do lar.
“As mulheres estão imprimindo um novo ritmo ao setor. Elas inovam, cuidam de perto da operação e exercem uma liderança que qualifica os bares, restaurantes e serviços de alimentação no país. Não é apenas uma tendência: é uma mudança definitiva”, afirma.
Apoio ao empreendedorismo feminino ainda é desafio
Apesar do avanço, especialistas do setor apontam que ainda existem desafios importantes para consolidar o crescimento do empreendedorismo feminino, principalmente em relação ao acesso a crédito, capacitação e redução da burocracia para Pequenos negócios.
Para Rosane Oliveira, políticas públicas e iniciativas privadas voltadas ao fortalecimento das empresárias podem ampliar ainda mais o impacto econômico do setor.
“As empresárias do setor muitas vezes conciliam a gestão do negócio com o cuidado com a família. Facilitar o acesso ao crédito, reduzir burocracias e ampliar a formação em gestão são passos essenciais para que elas sigam crescendo e gerando empregos”, destaca.
O levantamento reforça a importância das mulheres na dinâmica econômica da alimentação fora do lar, um dos setores mais relevantes para geração de empregos e empreendedorismo no país.



















