O crescente interesse por investimentos ligados ao planejamento da aposentadoria tem levado jovens investidores a olhar com mais atenção para os criptoativos. Embora ofereçam potencial de valorização, esse tipo de aplicação envolve riscos significativos. A avaliação é do economista e professor do Centro Universitário IBMR, Marcelo Anache, para quem as criptomoedas podem ter espaço apenas como parte complementar de uma carteira diversificada.
Segundo o especialista, trata-se de um mercado altamente volátil, sujeito a riscos tecnológicos e incertezas regulatórias. Ele destaca que “toda promessa de enriquecimento rápido carrega riscos e exige educação financeira para separar oportunidade de ilusão”. Anache elenca sete pontos de atenção para quem pensa em incluir ativos digitais no planejamento previdenciário.
1 — Complemento, não plano principal
Criptoativos podem ser utilizados como instrumento de diversificação, mas não devem sustentar sozinhos o planejamento de aposentadoria. O economista sugere uma exposição limitada, em torno de 1% a 5% do portfólio, devido à instabilidade e à falta de previsibilidade.
2 — Previdência fechada e aberta têm regras diferentes
Fundos de pensão não podem investir em criptoativos com recursos garantidores. Já fundos de previdência privada aberta podem ter exposição, desde que cumpram normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e regras de governança.
3 — Percentual ideal varia conforme o perfil
Não há um limite único recomendado. Embora a CVM permita exposições elevadas, Anache avalia que percentuais reduzidos são mais adequados para a maioria dos investidores, podendo chegar a 10% apenas em estratégias de maior risco.
4 — Atração semelhante ao mercado de ações
Assim como ocorreu com a bolsa de valores em décadas anteriores, os criptoativos despertam expectativas de ganho rápido entre investidores mais jovens. A diferença é que ações representam participação em empresas, enquanto muitas criptomoedas dependem de adoção futura e confiança do mercado.
5 — Riscos elevados exigem cautela
Entre os principais riscos estão volatilidade extrema, falhas de custódia, incertezas regulatórias e problemas operacionais nos projetos. Para reduzir perdas, o economista recomenda diversificação, limitação de exposição e uso de plataformas confiáveis.
6 — Previdência privada segue como alternativa de longo prazo
Planos privados continuam sendo utilizados como complemento à previdência pública, oferecendo planejamento financeiro, incentivos fiscais e autonomia para o investidor.
7 — Regulação influencia o setor
Regras tributárias e regulatórias sobre criptoativos, como a eventual incidência de IOF, podem afetar diretamente estratégias de previdência. Um marco regulatório estável tende a favorecer o uso controlado desses ativos; o contrário pode afastar investidores.
Para Anache, o principal recado é que criptoativos não devem ser tratados como solução isolada para o futuro financeiro. Educação financeira e gestão de risco permanecem essenciais para qualquer tipo de investimento.





















