O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (DPeC) do Banco Daycoval identificou sinais de escassez de mão de obra em oito dos dez principais setores da economia brasileira. A avaliação ajuda a explicar a manutenção da pressão sobre os rendimentos, mesmo em um cenário de arrefecimento da ocupação no segundo semestre de 2025.
A instituição manteve a projeção de taxa de desemprego terminal em 5,6% ao final de 2026. Em dezembro de 2025, o mercado de trabalho encerrou o ano com taxa de desemprego em 5,1%.
Dinâmica distinta ao longo de 2025
Segundo o relatório, o comportamento do mercado de trabalho foi heterogêneo ao longo do ano. No primeiro semestre, a queda do desemprego foi sustentada pela expansão da ocupação, em um ambiente de maior dinamismo setorial, com destaque para o agronegócio.
Já no segundo semestre, houve desaceleração da população ocupada — movimento que, em condições normais, tenderia a pressionar a taxa de desemprego para cima.
O que impediu essa elevação foi, principalmente, a retração da taxa de participação, que caiu de 62,5% em julho para 61,9% em dezembro de 2025. A redução da força de trabalho contribuiu para manter o desemprego em patamar baixo.
Novembro representou um ponto fora da curva, com estabilidade na participação e avanço da ocupação, movimento interpretado como pontual, associado a contratações temporárias — inclusive ligadas à cop30. Em dezembro, o padrão predominante do segundo semestre voltou a aparecer, com recuo da ocupação na margem e nova queda da participação.
Rendimentos seguem em alta
Apesar da desaceleração da ocupação, os rendimentos continuam avançando. Em dezembro, houve aceleração com alta real de 5,7% frente a dezembro de 2024. A massa salarial segue em trajetória de crescimento no acumulado em 12 meses, ampliando o desafio para a condução da política monetária.
De acordo com o DPeC, esse comportamento é consistente com o cenário de escassez de trabalhadores em grande parte dos setores analisados. A menor oferta de mão de obra sustenta ganhos reais de salário, mesmo diante de sinais de moderação na atividade.
Para 2026, o banco projeta crescimento dos rendimentos reais de 2,3%, com expansão de 1,7% da população ocupada no ano. O reajuste real do salário mínimo deve contribuir para manter a renda resiliente, ainda que em ritmo menos intenso do que o observado em 2025.






















