A Itaipu Binacional estuda expandir a geração de energia por meio de painéis solares instalados sobre o reservatório da usina, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai. A iniciativa, ainda em fase experimental, aponta para um potencial significativo de aumento da capacidade energética, podendo, em cenários teóricos, se aproximar da produção atual da própria hidrelétrica.
O reservatório da usina, formado pelo Rio Paraná, possui cerca de 1,3 mil km² de perímetro e oferece condições ideais para a instalação de sistemas fotovoltaicos flutuantes. Atualmente, uma planta piloto com 1.584 painéis solares foi instalada em uma área de menos de 10 mil m², com capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp), energia suficiente para abastecer cerca de 650 residências.
A chamada “ilha solar” funciona como um laboratório para avaliar impactos ambientais e eficiência operacional, incluindo efeitos sobre a fauna aquática, temperatura da água, ação dos ventos e estabilidade das estruturas. Segundo técnicos do projeto, a expansão dependerá de estudos mais aprofundados e até de possíveis atualizações no Tratado de Itaipu, firmado entre os dois países em 1973.
Estimativas iniciais indicam que, com cerca de 10% da área do reservatório coberta por painéis, seria possível atingir uma capacidade equivalente à geração da usina hidrelétrica. Em um cenário mais viável, a meta seria alcançar cerca de 3 mil megawatts em energia solar, o que representaria aproximadamente 20% da capacidade atual, com prazo mínimo de quatro anos para implantação.
Além da energia solar, a Itaipu vem investindo na diversificação de fontes renováveis por meio do Itaipu Parquetec, um polo de pesquisa criado para desenvolver soluções energéticas sustentáveis.
Entre os projetos em andamento está a produção de hidrogênio verde, obtido por meio da eletrólise da água — processo que separa hidrogênio e oxigênio sem emissão de gases poluentes. O combustível é considerado estratégico para setores industriais e de transporte, podendo substituir fontes fósseis.
Outro destaque é o desenvolvimento de tecnologias para armazenamento de energia em baterias, voltadas principalmente para sistemas estacionários, além de iniciativas com biogás e biometano. Resíduos orgânicos gerados na usina e materiais apreendidos em fiscalizações são transformados em combustível limpo por meio de biodigestores.
Desde o início das operações dessa planta, mais de 720 toneladas de resíduos foram processadas, gerando combustível suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros. O complexo também investe em combustíveis avançados, como o SAF (combustível sustentável de aviação), produzido a partir de óleo sintético experimental.
As iniciativas reforçam a estratégia da Itaipu de se consolidar não apenas como uma das maiores geradoras de energia hidrelétrica do mundo, mas também como um centro de inovação em energias renováveis, alinhado às demandas globais por Sustentabilidade e redução de emissões.
As informações são da Agência Brasil.





















