O mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 em um dos patamares mais fortes da série histórica, com taxa de desemprego em torno de 5,1%, segundo a PNAD Contínua. O resultado confirma um nível de ocupação elevado, mesmo em um ambiente de crescimento econômico moderado e juros ainda restritivos, e ajuda a explicar por que o espaço para cortes mais intensos da Selic segue limitado.
Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, o desempenho do emprego contrasta com a desaceleração do Produto Interno Bruto ao longo do ano. “Esse desempenho contrasta com a desaceleração do PIB ao longo do ano, efeito direto da Selic em 15%, que freou crédito e investimentos”, afirma.
Na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a resiliência do mercado de trabalho chama atenção. “A taxa de desemprego no Brasil caiu para cerca de 5,1%, um dos menores níveis já registrados, sinalizando que o mercado de trabalho é surpreendentemente resiliente mesmo num cenário de crescimento econômico moderado e juros ainda elevados”, diz. Segundo ele, o ritmo de atividade ainda é suficiente para sustentar os empregos, embora a trajetória futura dependa do consumo, da atividade produtiva e das expectativas em relação à política monetária.
O fechamento de 2025 com desemprego próximo da mínima histórica também reforça a leitura de uma economia mais resiliente do que em ciclos anteriores. Especialistas destacam que a geração de vagas foi suficiente para sustentar renda e consumo, evitando uma retração mais brusca da atividade, mesmo com a Selic em 15%.
Para Peterson Rizzo, gerente de Relações com Investidores da Multiplike, o resultado reflete uma recuperação gradual da economia brasileira. “Apesar dos desafios globais, o país exibiu sinais de resiliência. No entanto, as projeções indicam que o ritmo da economia deve continuar moderado, limitado pela carga elevada de juros e pelo cenário internacional”, afirma. Ele avalia que o ciclo de redução da Selic, esperado para começar em 2026, pode impulsionar a geração de empregos, mas ressalta que a magnitude dos cortes será decisiva para manter a inflação dentro da meta.
Na visão de João Kepler, CEO do Equity Group, o dado envia um recado direto ao setor produtivo. “Quando o desemprego fecha o ano em 5,1%, no menor nível da série histórica, o sinal para quem empreende é claro: a economia brasileira entrou em 2026 operando perto do pleno emprego”, afirma. Nesse ambiente, segundo ele, empresas que priorizam eficiência, liderança e geração de caixa tendem a se destacar.
Pedro Ros, CEO da Referência Capital, destaca que o menor desemprego da história ajudou a manter a atividade econômica. “Esse dado mostra que o Brasil atravessou 2025 com renda circulando e famílias relativamente protegidas no curto prazo, mesmo com juros elevados”, diz. Para os próximos meses, ele aponta uma tendência de maior planejamento financeiro, com decisões mais orientadas por previsibilidade e estabilidade.
Do ponto de vista da política monetária, o mercado de trabalho aquecido reforça a cautela do Banco Central. Para Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, um desemprego em 5,1% ajuda a entender a manutenção da Selic em nível elevado. “Em ciclos como esse, o investidor enfrenta o dilema entre aproveitar juros altos na renda fixa e se posicionar gradualmente para ativos de risco”, afirma, destacando o uso de ETFs como estratégia de transição para 2026.
No crédito, a leitura é semelhante. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, avalia que um mercado de trabalho apertado melhora a previsibilidade da renda e a capacidade de pagamento. “Para 2026, a Selic elevada tende a manter o crédito bancário restrito, abrindo espaço para estruturas alternativas, como os FIDCs, com maior governança e garantias”, afirma.
Já no ecossistema de inovação, o baixo desemprego traz efeitos ambíguos. Segundo Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, o cenário fortalece consumo e demanda, mas aumenta a disputa por talentos e a pressão sobre custos. “À medida que a Selic começar a ceder, o venture capital tende a ganhar fôlego, ainda que de forma seletiva, priorizando negócios com fundamentos sólidos, boa execução e crescimento eficiente”, conclui.
Em conjunto, as análises indicam que o mercado de trabalho forte limita movimentos mais agressivos de afrouxamento monetário no curto prazo, ao mesmo tempo em que sustenta a atividade econômica e molda as estratégias de empresas, investidores e formuladores de política para 2026.




















