O mercado de casas de férias vive uma mudança conceitual significativa. A lógica do imóvel “instagramável”, neutro e padronizado, pensado para agradar a todos e garantir alta rotatividade, começa a dar lugar a espaços com identidade, permanência e experiência de vida.
Segundo a especialista Priscila, que atua no segmento, o modelo anterior priorizava cenografia e apelo visual. “Era um design pensado para fotografia e alta troca de hóspedes. Funcionava como vitrine: bonito, neutro e facilmente replicável.” Agora, o foco está no uso real do espaço e na criação de memórias, mesmo em estadias curtas.
Mais do que cenário, o novo momento busca proporcionar sensação de pertencimento. “A ideia hoje é se sentir morando no lugar, criar memórias, mesmo que você esteja só de passagem”, afirma.
Móveis duráveis, iluminação equilibrada e layouts mais criativos
Entre as principais mudanças está a priorização de móveis duráveis, resistentes ao uso cotidiano e com design atemporal. A proposta é abandonar soluções frágeis ou excessivamente cenográficas e investir em peças que suportem o dia a dia.
Os layouts também se tornam menos engessados e mais criativos. O minimalismo extremo, antes dominante, abre espaço para ambientes com mais cor, textura e emoção. A neutralidade absoluta cede lugar a projetos mais afetivos e personalizados.
A iluminação ganha novo protagonismo. Durante anos, ela foi pensada principalmente para impacto visual, favorecendo fotos e vídeos. Agora, volta a ser elemento central de conforto. A combinação equilibrada de luz amarela (2700K-3000K), mais aconchegante, e luz branca fria (acima de 4000K), mais estimulante, passa a respeitar os diferentes momentos de uso da casa.
“O hóspede quer abrir uma gaveta funcional, ter onde guardar a mala, sentir que pode ocupar aquele espaço com naturalidade. A experiência precisa ser fluida e real”, explica a especialista.
Do Instagram ao hygge
A mudança também dialoga com o conceito dinamarquês de Hygge, associado à sensação de conforto, acolhimento e bem-estar nos pequenos momentos do cotidiano. Embora não tenha tradução literal, o termo representa uma filosofia de vida centrada na intimidade, na luz natural e na conexão emocional com o ambiente.
Priscila adapta o conceito à realidade brasileira, incorporando o princípio do aconchego ao contexto tropical. A proposta não é reproduzir a estética escandinava, mas aplicar a essência do hygge para criar ambientes que convidem à permanência.
Essa releitura acompanha a transformação do mercado imobiliário de locação por temporada. O setor, que antes priorizava neutralidade, cenografia e alta rotatividade, passa a valorizar espaços mais funcionais, afetivos e preparados para serem vividos — e não apenas fotografados.






















