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Aumento nas contas de luz gera impactos negativos para a retomada econômica

Entenda as consequências da crise hídrica e quais as alternativas para amenizar a alta dos preços

Em vigor desde 1º de setembro, o novo patamar de bandeira tarifária implementado pelo governo e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiciona às faturas o valor de R$ 14,20 para cada 100 kW/h consumidos, um aumento de 49,63% se comparado à bandeira vermelha patamar 2, vigente nos últimos meses.

O repasse nas contas de luz é consequência da crise hídrica que o país enfrenta, que já é considerada uma das piores em mais de 90 anos, como indicam dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Diante da situação crítica dos reservatórios das usinas hidrelétricas, a medida tomada pelo governo foi o acionamento das usinas termelétricas, o que deve fazer com que a inflação dispare ainda mais.

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Foto do Alessandro Azzoni/Arquivo Pessoal

“A energia elétrica é um fator de produção. Essa substituição de energia feita pelas termoelétricas e a compra de energia da Argentina e do Uruguai está encarecendo e afetando a bandeira. Isso impacta diretamente o faturamento, significa que há um repasse no preço e, consequentemente, o aumento do preço está relacionado com a inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA 15), que prenuncia o IPCA, teve um incremento de 0,89%, e dentro disso, 0,23% já era o impacto da energia. Então ela tem um peso significativo no processo inflacionário”, explica o economista e advogado especializado em Direito Ambiental, Alessandro Azzoni.

 

O aumento nas contas de luz faz com que o orçamento doméstico fique ainda mais apertado.

A contadora Ana Lúcia Magalhães já sente os reflexos dessa alta nos preços e atribui os episódios de devastação da floresta amazônica como uma das causas desse período de estiagem.

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Foto: Consumidora Ana Lúcia Magalhães/Arquivo Pessoal)

“O descaso do governo, com as queimadas e o desmatamento na Amazônia faz com que não chova nas regiões das estações hidrelétricas, tendo que acionar as termelétricas, que é uma energia mais cara e tudo fica mais caro. Estou tentando economizar energia desligando as coisas. Tinham luzes do lado de fora da casa que eu deixava acesa durante o dia, agora eu desligo. Alguns equipamentos de stand-by eu também desligo e não estou usando o ar condicionado”, relata.

O cenário também é complexo para as pequenas e médias empresas.

 

 

Energia solar tem sido alternativa para comerciantes

Para driblar a alta dos preços da energia elétrica, o diretor financeiro de uma escola da rede privada da zona norte do Rio de Janeiro, Carlos Henrique Batista, decidiu implantar placas de energia solar na instituição.

Ele informa que “a ideia surgiu em 2019, quando o custo da energia já estava subindo. Era um investimento necessário porque, por mais que as lâmpadas sejam de led e que se faça revisão da rede elétrica, o preço da energia só sobe. Estamos aguardando a liberação da Light, mas prevejo um abatimento mensal de cerca de 60% na conta de luz”.

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Técnicos instalam as placas de energia solar no teto da Instituição de Ensino). Foto enviado pelo Carlos /Arquivo Pessoal

Investir em alternativas para economizar a longo prazo é uma boa escolha, já que a previsão é que a nova bandeira permaneça em vigor até 30 de abril de 2022.

Se antes a bandeira era definida mês a mês, agora os cidadãos já sabem que essa alta vai pressionar o orçamento familiar por mais tempo.

Segundo Azzoni, “faltou um pouco mais de preparo na conscientização da população no consumo de energia”.

O especialista informa que “isso já deveria ter sido planejado ano passado porque naquele período da pandemia nós tivemos restrições devido ao isolamento social, e com isso muitas pessoas começaram a trabalhar em home office.

Assim, houve uma mudança do pico de gasto de energia”.

Entretanto, a conscientização da sociedade não deveria ser o único caminho para que o Brasil evite novas crises energéticas.

O economista acredita que o país deveria ter feito investimentos em setores diferentes das usinas termelétricas, que além de serem mais caras também são mais prejudiciais ao meio ambiente.

“Temos a dependência de 65% de geração de energia baseada em hidrelétricas. Acho que deveriam ter sido feitas políticas maiores na questão de implantação de novas matrizes energéticas, como os parques eólicos e os parques de geração fotovoltaicas. As termelétricas produzem uma energia suja, que depende do combustível, do gás e do diesel. Isso significa que toda vez que houver um aumento do petróleo lá fora, a conta de luz será impactada. Deveríamos investir energias mais renováveis, de fontes limpas que não causam esse custo”.

Enquanto esta não é a realidade brasileira, é preciso lidar com as consequências que prejudicam desde o orçamento doméstico até as atividades para a retomada do desenvolvimento econômico.

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