O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abriu novas perspectivas para a indústria brasileira, especialmente para o setor de moda e tecnologia aplicada à manufatura. Desde maio, mais de 5 mil linhas tarifárias, o equivalente a 54,3% do total, passaram a contar com redução ou eliminação de tarifas para ingresso no mercado europeu, ampliando o acesso a um bloco formado por mais de 700 milhões de consumidores e economias com Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos exportados pelo Brasil para a União Europeia passaram a ter tarifa de importação zerada nesta etapa inicial do acordo.
Tecnologia ganha espaço nas exportações
Além da comercialização de produtos, o acordo cria oportunidades para empresas brasileiras exportarem soluções tecnológicas voltadas à cadeia produtiva da moda. Ferramentas baseadas em inteligência artificial, automação, rastreabilidade e gestão industrial ganham importância diante das exigências de sustentabilidade, eficiência produtiva e conformidade ambiental adotadas pelo mercado europeu.
A Audaces, multinacional ítalo-brasileira com sedes em Florianópolis (SC) e Rovereto, na Itália, está entre as empresas que projetam ampliar sua atuação internacional com o novo cenário comercial.
A companhia desenvolve soluções de software, hardware, automação e inteligência aplicada à manufatura da moda, integrando processos de vendas, desenvolvimento e produção por meio de análise de dados e inteligência artificial.
Segundo a empresa, sua tecnologia permite reduzir em até 20% o desperdício de matéria-prima nas confecções e acelerar o desenvolvimento de novos produtos.
Expectativa de expansão internacional
Para o presidente global da Audaces, Matheus Fagundes, o acordo fortalece o ambiente para a internacionalização da tecnologia brasileira.
“O acordo cria um ambiente mais favorável para que empresas do Brasil exportem não apenas produtos, mas também tecnologia e conhecimento. Em um setor cada vez mais orientado por eficiência, sustentabilidade e dados, a capacidade de oferecer soluções que aumentem a produtividade e reduzam desperdícios pode se tornar um diferencial competitivo importante para o Brasil”, afirma.
Exigências ambientais aumentam importância da rastreabilidade
O avanço das negociações ocorre em um momento desafiador para a indústria têxtil brasileira. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apontam déficit comercial de US$ 5,86 bilhões no setor, impulsionado pelo crescimento das importações asiáticas.
Nesse contexto, cresce a busca por soluções que ampliem a competitividade das empresas nacionais por meio da Inovação tecnológica.
Segundo a Audaces, além dos ganhos de produtividade, suas plataformas também auxiliam empresas a atenderem às chamadas cláusulas espelho e às exigências ambientais estabelecidas pela União Europeia.
Esses requisitos demandam maior rastreabilidade das cadeias produtivas, permitindo monitorar indicadores de produção e acompanhar o ciclo de vida dos produtos desde as etapas iniciais de fabricação.
De acordo com a empresa, esse controle contribui para reduzir riscos relacionados a barreiras não tarifárias e facilita o atendimento às normas técnicas exigidas pelo mercado europeu.
Comércio digital também deve ser beneficiado
O acordo também amplia oportunidades para empresas que desenvolvem softwares e equipamentos industriais.
Com a harmonização das regras para o comércio digital e o fortalecimento da proteção à propriedade intelectual, fornecedores brasileiros passam a contar com maior previsibilidade regulatória para atuar no mercado europeu.
Para Matheus Fagundes, o novo ambiente pode fortalecer a posição do Brasil como exportador de tecnologia para a indústria da moda.
“Estamos diante de uma oportunidade de posicionar o Brasil como exportador de tecnologia para a moda global. A combinação entre inovação, automação e inteligência artificial permite que as empresas atendam às exigências de mercados mais sofisticados e fortaleçam sua competitividade internacional de forma sustentável”, conclui.






















