Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e escolher os ocupantes de 35 das 100 vagas do Senado. Também serão eleitos governadores em 36 dos 50 estados americanos.
As eleições de meio de mandato não colocam a Presidência em disputa, mas definirão o controle do Congresso e as condições que o presidente Donald Trump encontrará para avançar com sua agenda nos próximos dois anos.
Atualmente, os republicanos têm maioria nas duas Casas. Uma eventual vitória dos democratas em uma delas poderá ampliar a fiscalização sobre o Executivo, dificultar a aprovação de propostas e abrir espaço para investigações parlamentares.
Controle do Congresso influencia decisões do governo
Para Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, organização que conecta pesquisadores brasileiros nos Estados Unidos, o resultado determinará a capacidade do Legislativo de fiscalizar a administração Trump.
“Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização”, afirmou à Agência Brasil.
No Senado, a composição também influencia a confirmação de autoridades e juízes indicados pelo presidente. A manutenção da maioria republicana, por sua vez, tende a preservar um ambiente mais favorável às propostas da Casa Branca.
“Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido”, acrescentou Abraão.
Custo de vida ganha espaço na disputa
Segundo a reportagem da Agência Brasil, o aumento do custo de vida está entre os fatores que pressionam o governo e influenciam a disputa eleitoral.
A alta dos combustíveis, associada ao conflito no Oriente Médio e às restrições à navegação no Estreito de Ormuz, acrescenta dificuldades ao orçamento das famílias. O cenário coloca a condução da economia entre os temas centrais da campanha.
A composição do Congresso terá influência sobre decisões relacionadas a gastos públicos, tributação e financiamento de programas federais. Entretanto, o resultado eleitoral, isoladamente, não determina a trajetória da inflação ou da atividade econômica.
Política externa também entra no radar
Uma mudança na maioria parlamentar poderá aumentar a fiscalização sobre a política externa americana, incluindo decisões relacionadas ao conflito com o Irã.
Abraão pondera, porém, que a Presidência mantém ampla capacidade de atuação nessa área, mesmo quando não conta com o apoio da maioria no Congresso.
“Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”, explicou.
Assim, uma eventual vitória democrata poderá impor obstáculos políticos e orçamentários ao governo, mas não representará uma mudança automática na orientação diplomática dos Estados Unidos.
Resultado pode repercutir nas relações com o Brasil
As eleições também são acompanhadas pelo Brasil em meio a divergências comerciais e diplomáticas com Washington. Tarifas sobre produtos brasileiros e questionamentos sobre a atuação do governo americano em assuntos internos do país fazem parte desse contexto.
Segundo Abraão, uma maioria democrata poderá dar maior alcance às cobranças já apresentadas por parlamentares sobre possíveis interferências no Brasil. A abertura de investigações, entretanto, dependerá das prioridades dos novos dirigentes do Congresso e dos procedimentos institucionais.
“Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas. Isso não é automático, depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência e disputas judiciais”, afirmou.
Para o Brasil, o resultado será um indicador do ambiente político em que ocorrerão as próximas negociações com os Estados Unidos. Seus efeitos dependerão tanto da composição das duas Casas quanto das decisões adotadas pelo Executivo americano após a votação.
Fonte: Agência Brasil.






















