As empresas brasileiras de médio porte pretendem ampliar os investimentos em cibersegurança, mas ainda enfrentam dificuldades para estruturar áreas de governança, liderança especializada e gestão de riscos. É o que aponta a edição de 2026 do estudo Cybersecurity Survey Latin America, realizado pela RSM com 265 empresas da América Latina.
No Brasil, 71% das empresas participantes afirmaram que pretendem aumentar os investimentos em segurança da informação nos próximos 12 meses. Apesar da intenção de ampliar os recursos destinados à área, os indicadores de estrutura e governança mostram que a maturidade cibernética ainda é um desafio para parte das organizações.
Segundo o levantamento, 55% das empresas brasileiras possuem equipes de até duas pessoas dedicadas à segurança da informação e à privacidade. Apenas 29% contam com um CISO (Chief Information Security Officer) ou profissional equivalente responsável pela estratégia de cibersegurança.
Outro indicador é a adoção de frameworks formais de gestão de riscos. Apenas 35% das empresas brasileiras pesquisadas utilizam metodologias como NIST ou ISO 27001, referências internacionais para identificação, avaliação e tratamento de riscos relacionados à segurança da informação.
Investimento cresce, mas estrutura ainda é limitada
Os resultados mostram uma diferença entre a percepção da importância da cibersegurança e a estrutura disponível para administrar os riscos. Embora a maioria das empresas reconheça a necessidade de ampliar os investimentos, muitas ainda mantêm equipes reduzidas e não possuem uma liderança exclusivamente dedicada à segurança digital.
Em parte das organizações, a responsabilidade pela segurança da informação permanece concentrada em departamentos de Tecnologia, executivos de TI ou comitês formados por diferentes áreas.
Para Felipe José, sócio-líder de Tecnologia da RSM, o aumento dos investimentos precisa ser acompanhado pelo fortalecimento da governança e da capacidade de gestão dos riscos.
O cenário brasileiro segue uma tendência observada em outros países da América Latina. Na região, 69% das empresas entrevistadas pretendem ampliar os investimentos em cibersegurança nos próximos 12 meses. Apenas 30% possuem um CISO dedicado, enquanto metade das organizações trabalha com equipes de até duas pessoas voltadas à segurança e à privacidade.
Gestão de riscos ainda avança lentamente
A pesquisa também aponta limitações na adoção de metodologias estruturadas para administrar riscos cibernéticos. Embora algumas empresas já utilizem padrões reconhecidos internacionalmente, muitas ainda recorrem a avaliações periódicas, procedimentos reativos ou serviços de terceiros.
Esse modelo pode concentrar os esforços na resposta a incidentes e na manutenção das operações, sem necessariamente estabelecer uma estratégia de longo prazo para prevenção e gerenciamento de ameaças.
A adoção de frameworks como NIST e ISO 27001 pode ajudar as organizações a estabelecer processos mais estruturados para identificar vulnerabilidades, avaliar riscos e definir medidas de proteção.
Segurança em nuvem entre as prioridades
Entre as principais prioridades apontadas pelas empresas latino-americanas estão a gestão da superfície de ataque, a resiliência e recuperação dos negócios e a segurança em ambientes de computação em nuvem.
A relevância dessas áreas acompanha a expansão dos ambientes digitais e o aumento da utilização de novas tecnologias, incluindo ferramentas de inteligência artificial nos processos corporativos.
A ampliação desses recursos também cria novos pontos de atenção para as empresas, que precisam considerar aspectos como proteção de dados, controle de acessos, continuidade das operações e capacidade de resposta a incidentes.
Os resultados do levantamento indicam que a agenda de cibersegurança na América Latina passa por uma etapa de expansão dos investimentos. No entanto, a consolidação de estruturas de governança, equipes qualificadas e processos formais de gestão de riscos será necessária para transformar os recursos destinados à área em maior capacidade de prevenção e resposta a ameaças digitais.






















