Empresários brasileiros têm ampliado a busca por ambientes de troca de experiências como forma de apoiar decisões e desenvolver estratégias para os negócios. O movimento acompanha mudanças no perfil do empreendedorismo e aumenta a importância do networking qualificado e da colaboração entre gestores.
Em vez de depender exclusivamente de cursos, mentorias e métodos padronizados, parte dos empresários passou a valorizar espaços em que pode discutir problemas concretos com outros empreendedores, comparar experiências e avaliar diferentes possibilidades antes de tomar decisões.
Para Bethel Lombardi, especialista em experiência do cliente e empreendedorismo, essa mudança representa uma transformação na forma como os empresários buscam conhecimento. Segundo ele, o contato com gestores que enfrentam desafios semelhantes pode oferecer diferentes perspectivas e contribuir para decisões mais fundamentadas.
O interesse pelo empreendedorismo também permanece elevado no país. Dados da edição de 2025 da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe) em parceria com o Sebrae, indicam que empreender voltou a ocupar a segunda posição entre os maiores sonhos dos brasileiros.
O levantamento também aponta crescimento da participação de empreendedores com mais de 45 anos, grupo que tende a apresentar maior experiência profissional e a buscar estratégias de longo prazo para os negócios.
Networking passa a priorizar qualidade
O conceito de networking também vem mudando. Em vez de priorizar a quantidade de contatos, empresários buscam relações profissionais que possam resultar em troca de conhecimento, parcerias e novas oportunidades.
A interação entre gestores permite discutir desafios relacionados à administração, vendas, relacionamento com clientes, contratação de profissionais e expansão dos negócios. A experiência compartilhada pode ajudar empreendedores a identificar riscos e avaliar alternativas antes de implementar determinadas estratégias.
As mentorias continuam sendo utilizadas por empresários, mas passaram a dividir espaço com comunidades, grupos de discussão e encontros colaborativos.
O Sebrae também desenvolve iniciativas voltadas à formação de redes de empreendedores e comunidades empresariais, com foco na troca de experiências e no fortalecimento de pequenos e médios negócios.
Inteligência coletiva ganha espaço
A maior complexidade do ambiente empresarial tem levado gestores a buscar diferentes fontes de informação antes de tomar decisões. Nesse cenário, a chamada inteligência coletiva ganha relevância ao reunir experiências de profissionais com diferentes trajetórias e conhecimentos.
A mudança também influencia o formato de eventos voltados ao empreendedorismo. Encontros que antes eram concentrados em palestras e transmissão de conteúdo passaram a incluir debates, grupos de trabalho, atividades colaborativas e momentos destinados à interação entre participantes.
A proposta é transformar o conhecimento adquirido em experiências práticas e permitir que empresários compartilhem soluções para problemas semelhantes.
Para especialistas, o fortalecimento dessas redes pode contribuir para ampliar a visão dos gestores, estimular novas parcerias e reduzir o isolamento na tomada de decisões. O networking, nesse contexto, deixa de ser apenas uma ferramenta de relacionamento e passa a integrar a estratégia de desenvolvimento dos negócios.






















