Os oceanos movimentam cerca de 80% do comércio mundial e desempenham papel fundamental na economia, na regulação do clima e na manutenção da biodiversidade. Com a expansão da infraestrutura portuária, o aumento da navegação e o fortalecimento das atividades ligadas ao comércio exterior, especialistas defendem a ampliação do monitoramento ambiental para conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação dos ecossistemas marinhos.
A preocupação é reforçada por pesquisas recentes. Um estudo do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de microplásticos e poluentes orgânicos persistentes em organismos que vivem entre 400 e 1.500 metros de profundidade na Bacia de Santos, indicando que os impactos da atividade humana já alcançam regiões profundas do oceano.
No Brasil, que possui mais de 7 mil quilômetros de litoral, o crescimento das atividades ligadas à economia do mar amplia a necessidade de acompanhamento técnico dos impactos ambientais.
Segundo Mariana Masutti, diretora técnica de Estudos Socioambientais da CPEA Consultoria de Estudos Ambientais, o monitoramento contínuo permite identificar alterações ambientais antes que elas provoquem danos de difícil reversão.
“Os oceanos sustentam atividades essenciais para a economia. Quanto maior a intensidade desse uso, maior também é a responsabilidade de compreender seus impactos. A vigilância técnica permite identificar alterações antes que elas se tornem problemas irreversíveis, além de fornecer informações para decisões mais seguras”, afirma.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o transporte marítimo responde por aproximadamente 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Além das emissões, a atividade também está associada a desafios ambientais, como a disseminação de espécies exóticas por meio da água de lastro utilizada pelas embarcações.
Durante as operações, os navios captam grandes volumes de água para garantir estabilidade durante a navegação e descartam esse conteúdo em outros locais. Esse processo pode transportar organismos e microrganismos para ecossistemas onde não existem naturalmente, alterando o equilíbrio ambiental.
De acordo com a especialista, a introdução de espécies invasoras pode comprometer a biodiversidade, modificar cadeias ecológicas e provocar prejuízos ambientais, econômicos e sociais.
Para ela, o monitoramento ambiental deve ser tratado como uma ferramenta preventiva baseada em evidências científicas, capaz de orientar Políticas públicas, apoiar operações portuárias e contribuir para que a expansão da economia do mar ocorra de forma compatível com a conservação dos ecossistemas marinhos.






















