A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar parte da rotina da indústria criativa. Ferramentas capazes de produzir imagens, vídeos, campanhas e análises de dados em larga escala passaram a ser acessíveis a criadores independentes, pequenas empresas e profissionais de diferentes áreas, ampliando o acesso à produção de conteúdo e à inovação.
A avaliação é do gerente de Marca e Inovação da CORE, PC Santos, que acompanha as discussões do Festival Internacional de Criatividade de Cannes Lions. Segundo ele, o debate em torno da inteligência artificial evoluiu nos últimos anos. Se antes a atenção estava concentrada nas capacidades técnicas da Tecnologia, agora o foco passa a incluir seus impactos econômicos e sociais.
De acordo com o especialista, a democratização das ferramentas de criação levanta uma questão central: como garantir que um número maior de participantes também tenha acesso ao valor gerado por essa nova dinâmica digital.
Participação ativa na economia digital
Nos últimos anos, criadores de conteúdo, comunidades digitais e usuários passaram a desempenhar papel relevante na construção de audiência e engajamento para marcas e plataformas. Esses grupos influenciam tendências, decisões de consumo e a disseminação de campanhas, contribuindo diretamente para o crescimento da economia digital.
Apesar disso, a distribuição dos benefícios financeiros gerados por esse ecossistema ainda permanece concentrada em poucos agentes do mercado. Para especialistas, o desafio dos próximos anos será desenvolver mecanismos capazes de reconhecer e recompensar de forma mais ampla aqueles que contribuem para a geração de valor online.
Tecnologia como ferramenta de inclusão
A discussão sobre participação econômica tem ganhado espaço em diferentes segmentos da indústria. Programas de fidelidade, comunidades digitais e iniciativas voltadas para criadores de conteúdo buscam criar formas mais transparentes de relacionamento entre empresas e consumidores.
Segundo Santos, o diferencial das novas tecnologias não está apenas na sua capacidade operacional, mas na possibilidade de ampliar oportunidades e promover modelos mais inclusivos de participação.
Nesse cenário, a inteligência artificial passa a ser vista não apenas como uma ferramenta de eficiência, mas também como um instrumento capaz de apoiar soluções para desafios econômicos e sociais.
Próxima etapa da transformação digital
Para especialistas do setor, a próxima fase da evolução tecnológica será marcada menos pelo avanço das ferramentas em si e mais pela discussão sobre quem participa dos resultados gerados por elas.
A expectativa é que temas como inclusão econômica, valorização de comunidades digitais e distribuição de benefícios ganhem cada vez mais relevância à medida que a inteligência artificial amplia o acesso à criação e à produção de conteúdo.
A discussão, segundo analistas, tende a se tornar um dos principais desafios para os setores de comunicação, marketing e economia digital nos próximos anos.






















