A contratação de profissionais qualificados segue como um dos principais desafios para as empresas brasileiras. De acordo com a 33ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), 84% dos recrutadores consideram difícil ou muito difícil encontrar candidatos com o perfil desejado.
O levantamento, realizado com 1.161 profissionais, revela que a disputa por trabalhadores especializados permanece intensa, especialmente entre aqueles com ensino superior e experiência profissional consolidada. O cenário é impulsionado pelos baixos índices de desemprego entre profissionais qualificados.
Segundo dados da Robert Half, com base nos microdados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego desse grupo alcançou 2,5% no fim de 2025, o menor patamar da série histórica.
Benefícios ganham importância nas decisões dos candidatos
Além da remuneração, os benefícios oferecidos pelas empresas tornaram-se um dos principais fatores de atração e retenção de talentos.
A pesquisa indica que o pacote de benefícios é o aspecto mais valorizado pelos candidatos ao avaliar uma proposta de emprego, seguido pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional, oportunidades de crescimento na carreira, modelo de trabalho remoto ou híbrido e localização do emprego.
Outro levantamento, realizado pela Caju, mostra que 28,6% das empresas brasileiras já adotam modelos de benefícios flexíveis, permitindo que os colaboradores escolham como utilizar parte dos recursos oferecidos pela empresa.
Segundo o estudo, a personalização dos benefícios tem sido utilizada como estratégia para aumentar a satisfação dos funcionários e melhorar os índices de retenção.
Mercado segue exigente para candidatos
Embora haja escassez de profissionais qualificados em algumas áreas, a percepção dos trabalhadores é de que conseguir uma nova colocação continua sendo um desafio.
Entre os profissionais empregados entrevistados pela Robert Half, 63% consideram difícil encontrar um novo emprego. Entre os desempregados, esse percentual sobe para 78%.
Os dados indicam que os processos seletivos permanecem rigorosos, com exigências técnicas elevadas e busca por competências específicas.
Contratações temporárias ganham espaço
Diante da dificuldade para preencher vagas permanentes, muitas empresas têm ampliado o uso de contratações por projetos temporários.
A modalidade permite maior flexibilidade para atender demandas específicas, reduzir sobrecarga de equipes internas e responder a cenários econômicos mais incertos.
Para os profissionais, o modelo pode representar oportunidades de desenvolvimento de novas habilidades, ampliação da rede de contatos e diversificação da experiência profissional.
Benefícios flexíveis avançam em setores com alta rotatividade
O estudo da Caju aponta que segmentos como varejo e serviços estão entre os que mais investem em sistemas de benefícios flexíveis e soluções de gestão de pessoas.
Segundo o levantamento, 33% das empresas do varejo e 26% das companhias do setor de serviços já utilizam esse tipo de ferramenta para atender diferentes perfis de trabalhadores e simplificar processos de gestão.
A tendência acompanha a busca das organizações por estratégias capazes de aumentar a competitividade na atração de profissionais em um mercado de trabalho cada vez mais disputado.
Expectativas para os próximos meses
O Índice de Confiança Robert Half mostra que 64% dos recrutadores acreditam que a dificuldade para contratar profissionais qualificados permanecerá estável no próximo semestre.
Outros 30% projetam um cenário ainda mais desafiador para atrair e reter talentos.
Especialistas apontam que, diante da escassez de mão de obra qualificada, empresas que investirem em benefícios, qualidade de vida, desenvolvimento profissional e flexibilidade tendem a obter vantagem competitiva na disputa pelos profissionais mais demandados pelo mercado.






















