A construção de uma infraestrutura digital robusta tem sido essencial para garantir a confiança e o funcionamento do mercado brasileiro de apostas regulamentadas. O tema foi destaque durante o SBC Summit Rio, realizado no Rio de Janeiro, que reuniu representantes do governo, operadores e empresas de Tecnologia.
O painel discutiu como inovação, monitoramento de dados e regulação vêm estruturando essa nova fase do setor no país, com foco na proteção do cidadão e na transparência das operações.
Monitoramento em larga escala
Um dos principais desafios apontados foi a necessidade de acompanhar um mercado altamente dinâmico. Segundo representantes da Secretaria de Prêmios e Apostas, foi necessário estruturar, em pouco tempo, um sistema capaz de monitorar tanto as operações das empresas quanto o comportamento dos usuários.
A base tecnológica já opera em grande escala. Apenas em 2025, foram registrados cerca de 253 bilhões de dados, evidenciando a dimensão do mercado e a necessidade de ferramentas avançadas para análise e fiscalização.
Tecnologia pública como base do sistema
O Serpro desempenha papel central nesse ecossistema, com o desenvolvimento do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap). A plataforma integra operadores, reguladores e entidades certificadoras, garantindo segurança da informação, interoperabilidade e governança de dados.
Além do monitoramento, o sistema também incorpora ferramentas voltadas à proteção dos usuários. Entre elas, está a Plataforma de Autoexclusão, que permite ao próprio cidadão bloquear sua participação em apostas. Atualmente, cerca de 340 mil pessoas já utilizam esse recurso.
Outro mecanismo relevante é o módulo que impede o cadastro de beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada, evitando o uso indevido de recursos destinados à assistência social.
Certificação e adaptação do setor
Do lado das operadoras, o processo de adaptação às exigências regulatórias foi intenso ao longo de 2025. Empresas precisaram ajustar sistemas e garantir certificações que assegurem transparência e rastreabilidade das operações.
Especialistas destacam que, embora a certificação seja fundamental, a proteção do usuário depende do monitoramento contínuo e da capacidade de resposta rápida a comportamentos fora do padrão dentro das plataformas.
Próximos desafios do mercado
Com a base regulatória e tecnológica estruturada, o setor entra agora em uma nova etapa. O desafio passa a ser transformar essa infraestrutura em eficiência operacional e melhor experiência para o usuário, sem comprometer a segurança.
Entre os pontos de atenção está o tempo necessário para cadastro nas plataformas, que pode levar de cinco a dez minutos devido às verificações obrigatórias — fator que ainda precisa ser otimizado para competir com operadores ilegais.
Regulação da cadeia tecnológica
Especialistas também defendem a ampliação da regulação para toda a cadeia tecnológica, incluindo empresas responsáveis pela verificação de identidade dos usuários. A medida pode aumentar a segurança e criar padrões mínimos de qualidade para o setor.
O Brasil tem avançado ao utilizar tecnologia como instrumento de política pública na economia digital, mas o equilíbrio entre inovação e controle regulatório ainda será um dos principais desafios nos próximos anos.





















