O relatório “Estado do Clima Global 2025”, divulgado pela World Meteorological Organization (OMM), revela que o período entre 2015 e 2025 foi o mais quente já registrado desde o início das medições, em 1850. O documento foi publicado nesta segunda-feira (23), data em que se celebra o Dia Mundial da Meteorologia.
Segundo o estudo, o ano de 2025 está entre os mais quentes da história, com temperatura média cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900). O cenário levou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, a classificar a situação como crítica. “O estado do clima global é de emergência. O planeta Terra está sendo levado além de seus limites”, afirmou.
O relatório aponta que o aumento das concentrações de gases de efeito estufa continua sendo o principal motor do aquecimento, impulsionando o aumento da temperatura da atmosfera e dos oceanos, além do derretimento acelerado de geleiras. Eventos extremos como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais têm causado impactos severos, evidenciando a vulnerabilidade das economias e das sociedades.
Desequilíbrio energético
Um dos destaques do estudo é o desequilíbrio energético da Terra, que mede a diferença entre a energia recebida do Sol e a irradiada de volta ao espaço. Esse desequilíbrio vem aumentando desde 1960, com forte aceleração nas últimas duas décadas devido ao acúmulo de gases que retêm calor, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso.
Cerca de 91% do excesso de calor é absorvido pelos oceanos, que atuam como um “amortecedor” térmico. No entanto, isso tem elevado a temperatura das águas e acelerado o derretimento das calotas polares no Ártico e na Antártida. Como consequência, o nível médio do mar segue em elevação, com ritmo mais acelerado desde o início das medições por satélite, em 1993.
O relatório também aponta que essas mudanças nos oceanos são praticamente irreversíveis em escalas de tempo que vão de séculos a milênios, agravando riscos como perda de biodiversidade e redução da capacidade de absorção de carbono.
Impactos na saúde e economia
Além dos impactos ambientais, a OMM alerta para efeitos diretos sobre a saúde humana. O aumento das temperaturas favorece a propagação de doenças transmitidas por vetores e pela água, além de afetar a saúde mental, especialmente entre populações vulneráveis.
Estima-se que mais de 1,2 bilhão de trabalhadores no mundo estejam expostos a riscos relacionados ao calor, principalmente em setores como agricultura e construção civil. Isso não apenas compromete a saúde, mas também reduz a produtividade e afeta os meios de subsistência.
Diante desse cenário, a entidade reforça a necessidade de integrar dados climáticos aos sistemas de saúde e de adotar medidas preventivas. Para especialistas, o relatório reforça que o aquecimento global deixou de ser uma ameaça futura e já representa um desafio imediato para governos, empresas e sociedade.
Com informação Agência Brasil.






















