Durante anos, a arquitetura residencial foi marcada por ambientes neutros, extremamente organizados e pensados quase como cenários perfeitos para fotografias. O predomínio de cores como branco e cinza e a busca pela perfeição estética muitas vezes deixavam em segundo plano a personalidade dos moradores.
Em 2026, no entanto, essa lógica começa a mudar. A casa passa a ser vista como um espaço de memória, identidade e sensações, com projetos que priorizam o bem-estar, a saúde física e emocional e a conexão com a história de quem vive ali.
Para o arquiteto Bruno Moraes, do BMA Studio, a arquitetura contemporânea deixa de buscar apenas impacto visual e passa a valorizar experiências e autenticidade.
“Ninguém mais quer morar em um ambiente perfeito de showroom, mas sim em uma casa que conte uma história, que tenha repertório e alma. A arquitetura está caminhando para um caminho muito mais humano, autoral e consciente”, afirma.
A partir dessa visão, o profissional aponta oito tendências que devem influenciar os projetos de arquitetura e interiores nos próximos anos.
Estilo pessoal e mistura de épocas
Uma das principais tendências é a valorização da história dos moradores. A casa deixa de parecer um catálogo e passa a refletir a trajetória de quem a habita.
Peças contemporâneas se misturam a móveis vintage, objetos de família e lembranças de viagens. O conceito, que Moraes chama de “moderno nostálgico”, propõe uma decoração construída ao longo do tempo.
“Não se trata de comprar tudo novo, mas de misturar o contemporâneo com aquilo que carrega memória”, explica.
Materiais naturais e imperfeições valorizadas
A estética excessivamente polida também perde espaço para materiais autênticos. Madeiras com marcas do tempo, pedras com veios irregulares e metais que oxidam naturalmente passam a ser valorizados.
O movimento também resgata o uso de pedras brasileiras, que por muito tempo ficaram em segundo plano em relação a mármores importados.
Segundo o arquiteto, o mercado começa a valorizar o que é natural e culturalmente local, reconhecendo que as imperfeições fazem parte da história dos materiais.
Formas curvas e volumes orgânicos
As linhas rígidas e retas dão lugar a geometrias mais suaves e orgânicas. A tendência aparece não apenas no mobiliário, mas também na arquitetura do espaço.
Paredes curvas, sancas sinuosas e layouts fluidos ajudam a criar ambientes mais acolhedores e sensoriais.
Paletas de cores quentes
Embora tons neutros continuem presentes, cores mais quentes e envolventes ganham destaque nos interiores.
Tons como chocolate, oliva, musgo, azuis profundos e nuances de rosa aparecem em paredes, tetos, portas e marcenaria. Em alguns projetos, a aplicação monocromática cria ambientes imersivos e cheios de personalidade.
Espaços híbridos permanentes
O home office deixa de ser improvisado e passa a fazer parte da estrutura da casa. Com o avanço do trabalho híbrido, os projetos residenciais passam a incluir áreas específicas para atividades profissionais.
Segundo Moraes, não é mais suficiente adaptar a mesa de jantar para reuniões online. Os espaços precisam ser planejados para oferecer conforto, funcionalidade e produtividade.
Luxo silencioso
A ideia de luxo também passa por transformação. Em vez de ostentação, o foco está na qualidade dos materiais, na durabilidade e na experiência sensorial.
Tecidos sofisticados, marcenaria bem executada e acabamentos de alto padrão compõem ambientes elegantes, porém discretos.
Novos materiais ecológicos
A inovação sustentável também ganha destaque na arquitetura. Entre os exemplos estão painéis acústicos produzidos com micélio, couros feitos a partir de cacto ou abacaxi e elementos construtivos produzidos por impressão 3D em argila.
Essas soluções indicam um mercado cada vez mais aberto a alternativas ecológicas e tecnológicas.
Design regenerativo
Além da Sustentabilidade, o design regenerativo surge como uma abordagem que considera o impacto do ambiente na saúde física e emocional dos moradores.
Questões como qualidade do ar, iluminação natural, ventilação, escolha de materiais e até a posição de equipamentos elétricos passam a ser analisadas com mais cuidado.
Certificações internacionais voltadas ao bem-estar também ganham espaço ao avaliar fatores como conforto acústico, qualidade ambiental e campos eletromagnéticos.
Para o arquiteto, o princípio fundamental continua sendo o mesmo: colocar o morador no centro do projeto.
“A casa precisa ser reflexo da pessoa e precisa fazer bem para quem vive nela”, conclui.













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