Em um ano marcado por grandes eventos e atenção fragmentada, a Tecnologia deixa de ser apenas suporte operacional e passa a ocupar papel central na estratégia de crescimento das empresas. A avaliação é do especialista Fabrício Ribeiro, que aponta 2026 como um período de “grandes distrações” para o mercado brasileiro.
Com a realização da Copa do Mundo FIFA de 2026, eleições polarizadas e uma sequência de feriados prolongados, o ambiente de negócios tende a se tornar mais imprevisível. Segundo o especialista, esse cenário deve elevar o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) em praticamente todos os setores.
“Quanto maior for o ruído, maior o custo para ser ouvido e, consequentemente, lembrado”, afirma. Em um mercado com atenção dispersa e competição intensificada, depender exclusivamente de investimento em mídia para crescer se torna progressivamente mais caro e menos eficiente.
De centro de custo a alavanca de receita
Ribeiro observa que, durante anos, muitos líderes trataram a tecnologia como um “mal necessário”, restrito à manutenção da operação. No entanto, diante de um ambiente mais instável e oneroso, essa abordagem se mostra insuficiente.
Se conquistar novos clientes se torna mais caro, a tecnologia precisa garantir retenção, aumento de consumo e melhoria da experiência do cliente. Isso, segundo ele, não se resolve apenas com a aquisição de novos softwares, mas com uma estratégia de negócios bem estruturada e integrada.
Alinhamento entre TI e negócio
O especialista destaca que ainda há um desalinhamento frequente entre áreas técnicas e comerciais. Enquanto o time de vendas pressiona por resultados, a área de tecnologia responde com métricas operacionais, como estabilidade de sistemas, sem necessariamente conectar essas entregas ao impacto financeiro.
Para enfrentar esse cenário, a tecnologia precisa cumprir três funções centrais:
- Retenção orientada por dados
Empresas mais maduras utilizam dados integrados para compreender padrões de comportamento, antecipar riscos de cancelamento e agir de forma preventiva. A ausência de uma visão unificada do cliente compromete decisões estratégicas e aumenta a dependência de ações comerciais corretivas.
- Fazer mais com o mesmo headcount
Com margens pressionadas, ampliar equipes internas não é solução sustentável. O modelo de outsourcing surge como alternativa para delegar funções técnicas a especialistas, liberando o time interno para focar em atividades estratégicas ligadas à geração de receita.
- Transformar custo em tração
Infraestrutura tecnológica precisa ser desenhada para permitir escala sem que problemas cresçam na mesma proporção. Quando alinhada à operação, a tecnologia deixa de ser peso no orçamento e se torna alavanca de crescimento sustentável.
Ano exige estratégia
Na avaliação de Ribeiro, empresas que mantiverem a tecnologia restrita à função operacional enfrentarão maior pressão sobre caixa e competitividade. Em um ano de dispersão de atenção e aumento de custos, integrar tecnologia e negócio será determinante para reduzir fricções, ganhar eficiência e sustentar resultados.






















