Cerca de 35,3 milhões de adultos no Brasil, o equivalente a 21,7% da população, seguem fora do sistema bancário formal, sem conta, cartão ou histórico de crédito. O dado é da Serasa Experian e evidencia que, apesar do avanço da bancarização nos últimos anos, o acesso efetivo ao crédito ainda permanece distante para uma parcela significativa da população, especialmente pessoas de baixa renda e trabalhadores informais.
Segundo dados do Banco Central do Brasil, 84% dos adultos brasileiros já possuem conta bancária. No entanto, esse número não representa inclusão financeira plena. Muitos usuários continuam à margem do sistema de crédito por não compreenderem como construir um histórico positivo ou por não utilizarem produtos que gerem registros financeiros rastreáveis.
Para Rafa Cavalcanti, CEO da CloQ, a educação financeira digital tem se consolidado como um dos principais vetores para transformar esse cenário. De acordo com ele, não se trata apenas de ensinar a lidar com dinheiro, mas de inserir essas pessoas no ambiente digital, onde suas movimentações passam a gerar histórico, dados e, consequentemente, confiança para o sistema financeiro.
A partir dessa realidade, a CloQ aponta cinco frentes nas quais a educação financeira digital vem abrindo portas para o crédito entre os desbancarizados.
A primeira é a educação financeira como porta de entrada para o sistema formal. Plataformas digitais, aplicativos e conteúdos educativos ajudam o usuário a compreender conceitos básicos, como orçamento, crédito, juros e score, além de orientar quais comportamentos contribuem para a construção de um histórico financeiro positivo.
Outro ponto central é a digitalização de hábitos financeiros cotidianos. Pagamentos via carteira digital, contas simplificadas e uso consciente de meios eletrônicos permitem que transações antes invisíveis passem a gerar dados. Esses registros são fundamentais para que instituições financeiras consigam avaliar risco e capacidade de pagamento.
O uso de dados alternativos aliado à orientação financeira também ganha destaque. Informações como consumo recorrente, pagamentos digitais e comportamento em plataformas podem complementar o histórico tradicional. Quando combinados com educação financeira, esses dados ajudam o consumidor a evoluir sua relação com o crédito de forma mais sustentável.
A educação financeira digital ainda atua na redução do medo e da desconfiança em relação ao crédito. Muitos desbancarizados evitam produtos financeiros por desconhecimento ou experiências negativas anteriores. A orientação digital funciona como ferramenta de empoderamento, reduzindo barreiras psicológicas e estimulando decisões mais conscientes.
Por fim, a construção gradual de um histórico positivo aparece como fator decisivo. Segundo a Serasa Experian, 80,5% dos chamados “invisíveis” não possuem restrições no CPF, apenas não contam com registros suficientes. Com orientação adequada e produtos acessíveis, esse público pode iniciar com limites menores e evoluir progressivamente dentro do sistema financeiro.
Para Rafa Cavalcanti, a educação financeira digital é o elo que conecta dados, Tecnologia e comportamento. Sem ela, o crédito permanece concentrado; com ela, o sistema passa a enxergar pessoas que sempre estiveram economicamente ativas, mas invisíveis.
Na avaliação do executivo, instituições financeiras que investirem em soluções educativas integradas à jornada do cliente não apenas ampliam seu mercado potencial, como também contribuem para um ecossistema financeiro mais justo e eficiente. Para ele, incluir não é apenas oferecer crédito, mas preparar o consumidor para utilizá-lo de forma saudável, o que representa o verdadeiro avanço da inclusão financeira no país.




















