Em meio à escalada, chamou atenção nesta sexta-feira (28) o pouso não programado de uma aeronave que já foi utilizada pela Presidência venezuelana na cidade de Santa Helena de Uairén, região fronteira com o Brasil. Os dados constam em sites de monitoramento de tráfego aéreo, como o ADS-B Exchange e FlightRadar.
Segundo monitoramento de voos divulgado em perfis especializados, tratava-se de um Airbus A319-133, registrado como de propriedade do governo da Venezuela, sob matrícula YV2984., operado pela Conviasa, companhia aérea estatal da Venezuela.
O jato é classificado pelo site como uma “aeronave VIP do governo” e o modelo já serviu em deslocamentos oficiais de Nicolás Maduro. Ele aterrissou em Santa Elena de Uairén por volta das 21h10, no horário local, e permaneceu no terminal por cerca de 40 minutos. A cidade venezuelana está situada a aproximadamente 250 quilômetros de Pacaraima (RR), no Brasil — um trajeto que pode ser feito em cerca de três horas por via terrestre.
Até o momento, não há confirmação de que Maduro estivesse a bordo, nem de que o episódio represente um movimento de fuga ou preparação para deslocamentos estratégicos na direção da fronteira. Autoridades venezuelanas não comentaram publicamente o pouso, o que alimenta ainda mais especulações em redes sociais e entre analistas militares da região.
“Ameaça colonial”
Neste sábado (29), Trump havia declarado o fechamento do espaço aéreo venezuelano, aumentando assim o temor de ataque militar.
O governo de Nicolás Maduro classificou a declaração do Lider da Casa Branca como uma “ameaça colonial” e uma violação da soberania venezuelana, acusando Washington de tentar isolar ainda mais o país e de usar o combate ao narcotráfico como justificativa para uma intervenção de caráter político e militar.
De acordo com uma reportagem feito pelo Euronews, Maduro ordenou que as Forças Armadas ficassem em “alerta, prontas e dispostas” para defender o território, com exercícios militares exibidos na televisão estatal simulando a interceptação de aeronaves e forças invasoras.
Ao mesmo tempo, autoridades venezuelanas dizem estar abertas ao diálogo, lembrando que, segundo reportagens, Trump e Maduro chegaram a manter contato telefônico recente para discutir possíveis caminhos de redução de tensão — o que não impediu a retórica mais agressiva de ambos os lados.
Posição e preocupações do Brasil
O governo brasileiro ainda não se posicionou oficialmente sobre a declaração de Trump nas últimas horas, mas, em declarações recentes, autoridades haviam manifestado “grande preocupação” com o aumento da presença naval e aérea dos EUA perto das águas venezuelanas, destacando o risco de instabilidade em toda a região.
Em termos práticos, uma escalada militar envolvendo bombardeios ou incursões em solo venezuelano poderia gerar:
- Aumento do fluxo migratório em direção a Roraima e outros estados da região Norte;
- Crescente pressão diplomática sobre o Brasil para se posicionar mais claramente a favor ou contra as ações dos EUA;
- Riscos adicionais à segurança aérea e comercial, já que companhias latino-americanas e europeias estão revendo rotas que passam pelo espaço aéreo venezuelano.
Diplomatas ouvidos por agências internacionais avaliam que o Brasil tende a defender, em fóruns multilaterais, uma solução negociada, evitando se alinhar automaticamente a qualquer ação que possa levar a um conflito aberto na região.






















