Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial entre pessoas, empresas e profissionais, uma habilidade passou a fazer diferença: saber o que perguntar para a IA. Os comandos — conhecidos como prompts — são a base da interação com os sistemas e determinam a qualidade da entrega. Para obter respostas mais precisas, é necessário entender como estruturar uma boa instrução.
Giovanni La Porta, CEO da Vortice.ai, afirma que a qualidade da entrega está diretamente relacionada à qualidade da orientação recebida. Em outras palavras, é preciso saber conduzir a conversa. Um prompt bem construído reduz retrabalho e transforma a IA em aliada na produção de conteúdo, análise de dados, planejamento estratégico e processos criativos.
“Na prática, o chamado ‘prompt perfeito’ não é uma fórmula única, mas um conjunto de boas práticas que ajudam o sistema a compreender o contexto da conversa, a intenção do pedido e o formato esperado da resposta”, diz La Porta.
Com base nessa visão, a startup especializada em IA reuniu cinco orientações para quem deseja aprimorar suas instruções e potencializar resultados:
1 – Seja específico
Antes de escrever o prompt, defina claramente o que você precisa receber. É um relatório, uma ideia de projeto, um plano de ação, um texto de vendas, uma explicação técnica, um checklist operacional ou uma simulação? Quando o objetivo está claro, a instrução se torna mais eficiente. Em vez de pedir “explique sobre logística”, por exemplo, é mais eficaz solicitar “explique logística reversa para um gerente de operações que precisa implementar o processo na empresa”.
2 – Dê contexto
A IA responde melhor quando entende o ambiente em que a resposta será aplicada. Sempre que possível, inclua informações como setor, porte da empresa, perfil do cliente, nível de conhecimento do público e finalidade prática do material. Há diferença entre pedir “crie um plano de marketing” e solicitar “crie um plano de marketing digital de baixo orçamento para uma empresa B2B de Tecnologia que quer gerar leads em 60 dias”.
3 – Defina público e tom de voz
Uma técnica eficiente é indicar à IA “quem ela deve ser” e “para quem está falando”. Isso orienta estilo, profundidade e linguagem. Pode-se pedir que atue como consultor financeiro, professor iniciante, analista de dados, estrategista de vendas ou redator corporativo. Também é recomendável indicar o público-alvo, como executivos, equipe técnica, iniciantes ou clientes finais.
4 – Especifique o formato
Prompts mais completos descrevem como a resposta deve ser estruturada. É possível indicar tamanho, organização e profundidade desejada: lista de etapas, tabela comparativa, plano em fases, resumo executivo, guia detalhado ou tópicos acionáveis. Informar o nível de aprofundamento — visão geral, intermediária ou avançada — evita respostas superficiais quando se busca análise detalhada ou excessivamente longas quando o objetivo é síntese.
5 – Use refinamento
O prompt pode ser construído em camadas. A prática recomendada é iterar: solicitar uma primeira versão, avaliar o resultado e complementar com ajustes, pedindo para ampliar, simplificar, incluir exemplos, adaptar ao mercado específico ou transformar em plano de ação. O uso da IA deve ser tratado como diálogo contínuo, e não como comando único.
“Ferramentas de IA generativa não adivinham intenções, apenas interpretam instruções. Por isso, a qualidade do resultado depende da clareza, do contexto e da estrutura do comando recebido. A inteligência humana segue sendo a principal, e a artificial atua como complemento do nosso trabalho”, conclui La Porta.






















